Educação personalizada não é educação emancipadora

a apropriação do discurso de Paulo Freire pela indústria da tecnologia educacional

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/tsc.v8i2.16062

Palavras-chave:

Paulo Freire, Construcionismo, Tecnologia Educacional

Resumo

Nesse artigo, discutimos dois futuros possíveis para as tecnologias educacionais e para a educação personalizada. Um é dominado por produtos corporativos de instrução programada em que a “personalização” é rigorosamente limitada ao ritmo de consumo dos materiais, sem que os alunos tenham qualquer escolha de conteúdos ou abordagens. Em um campo diametralmente oposto, encontramos na educação maker um uso de tecnologia que oferece a estudantes novas formas de expressão e de participação agêntica no mundo atual. Concluímos alertando para a apropriação do discurso educacional progressista por produtores desses sistemas de instrução programada e apontando que há, na intersecção da educação maker com o pensamento de Paulo Freire, um futuro mais promissor para as tecnologias educacionais.

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Biografia do Autor

Paulo Blikstein, COLUMBIA UNIVERSITY

Ph.D., Learning Sciences, by Northwestern University (Center for Connected Learning and Computer-Based Modeling, School of Educational and Social Policy); Assistant Professor of Education & (by courtesy) Computer Science, Stanford University

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Publicado

30-12-2021

Como Citar

BLIKSTEIN, P. Educação personalizada não é educação emancipadora: a apropriação do discurso de Paulo Freire pela indústria da tecnologia educacional. Tecnologias, Sociedade e Conhecimento, Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 8–24, 2021. DOI: 10.20396/tsc.v8i2.16062. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tsc/article/view/16062. Acesso em: 30 set. 2022.