A chefia xinguana e suas casas

Autores

  • Antonio Roberto Guerreiro Júnior Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/tematicas.v21i42.11477

Palavras-chave:

Casa, Chefia, Parentesco, Alto Xingu, Kalapalo

Resumo

De tempos em tempos, os Kalapalo e demais alto-xinguanos constroem estruturas especiais para seus chefes: grandes casas decoradas para chefes vivos, e sepulturas especiais para nobres falecidos – também concebidas como suas “casas”. Neste artigo analiso como estas estruturas guardam uma série de analogias com o modelo de corpo dos chefes, procurando mostrar como casas, sepulturas e corpos nobres objetivam, em diferentes escalas, uma dualidade entre humanidade/consanguinidade e animalidade/afinidade. A partir de um diálogo com as formulações de Lévi-Strauss sobre a Casa, argumento que a chefia xinguana é caracterizada pela síntese de princípios de unidade e antagonismo, cuja objetivação é parte necessária do movimento pelo qual os grupos xinguanos se diferenciam e se identificam no sistema regional, oferecendo as bases do processo do parentesco.

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Biografia do Autor

Antonio Roberto Guerreiro Júnior, Universidade Estadual de Campinas

Professor do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2013-12-30

Como Citar

GUERREIRO JÚNIOR, A. R. A chefia xinguana e suas casas. Tematicas, Campinas, SP, v. 21, n. 42, p. 73–113, 2013. DOI: 10.20396/tematicas.v21i42.11477. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/11477. Acesso em: 25 jan. 2022.

Edição

Seção

Dossiê