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O ocaso do racionalismo e a perspectiva erótica no empreendimento etnográfico
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Palavras-chave

Linguística aplicada indisciplinar
Teoria Queer
Etnografia virtual
Aplicativos de pegação
Grindr
Desejo
Sexualidade
Interdisciplinaridade

Como Citar

BONFANTE, Gleiton Matheus. O ocaso do racionalismo e a perspectiva erótica no empreendimento etnográfico: por uma ciência do tesão. Tematicas, Campinas, SP, v. 22, n. 44, p. 141–176, 2014. DOI: 10.20396/tematicas.v22i44.10975. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/10975. Acesso em: 20 maio. 2024.

Resumo

As vozes que questionam o positivismo e a inabilidade de seus instrumentos teórico-analíticos em conceitualizar o dinamismo do mundo contemporâneo vem de distintos lugares com agendas diversas. Um compromisso ético, que reconheça o caráter ideológico e subjetivo da empresa científica e acredite na negociação dos limites da participação na interação e uma agenda política, responsável pelos efeitos da pesquisa, comprometida com a mudança e com a desnormativização da sociedade estão entre essas vozes de mudança e entre as perspectivas discutidas no texto. Advogando uma metodologia híbrida, indisciplinar que respeita as sensações e sentimentos como legítimos produtores de saber e que aposta no desejo e no erotismo como fonte de inspiração, é discutida a necessidade de desaprender enferrujados paradigmas para que as teorizações sociais não sejam anacrônicas ao seu tempo. Será defendido o reconhecimento da subjetividade, do corpo e dos desejos do investigador como inflexões de produção de conhecimento. Assim como estão em pauta a produção e sustentação da distinção entre sujeito e objeto na narrativa científica, o nível de envolvimento do pesquisador com práticas estudadas e os efeitos de sua presença no campo. Alguns desafios pós-modernos à etnografia serão discutidos com base nos exemplos extraídos de uma netnografia sexual. 

https://doi.org/10.20396/tematicas.v22i44.10975
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Referências

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Copyright (c) 2014 Gleiton Matheus Bonfante

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