Consequências da financeirização para os trabalhadores

Autores

  • Pietro Borsari Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/rbest.v2i00.13501

Palavras-chave:

Financeirização, Mercado de trabalho, Relações de trabalho

Resumo

“Financeirização” é uma categoria analítica essencial para a compreensão da dinâmica do capitalismo contemporâneo e para entender transformações em curso no mundo do trabalho. Este artigo coloca foco em interpretações da financeirização em dois níveis de análise: a transição para um regime de acumulação orientado para a valorização financeira, que pode resultar em baixo ritmo de crescimento econômico e maior instabilidade sistêmica (nível macro-estrutural); e o predomínio da lógica de maximização do valor acionário da corporação não financeira, que implica em constante pressão para redução de custos e aumento de produtividade (nível micro-institucional). A combinação desses níveis de análise permite uma visão de conjunto a respeito dos vínculos entre o avanço da financeirização e seus impactos no âmbito das relações de emprego e do processo de trabalho em grandes empresas (impactos diretos) e no âmbito mais geral do mercado de trabalho e da distribuição de renda (impactos indiretos). A discussão está centrada na literatura econômica internacional, mas tem o propósito de estimular o debate sobre as consequências da financeirização para os trabalhadores em países latino-americanos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Pietro Borsari, Universidade Estadual de Campinas

Mestre em Desenvolvimento Econômico, área de concentração Economia Social e do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas.

Referências

Abeles, M., Pérez Caldentey, E., & Valdecantos, S. (editores (2018), Estudios sobre financierización en América Latina, Libros de la CEPAL, N° 152 (LC/PUB.2018/3-P), Santiago, Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL).

Almeida Filho, N., & Paulani, L. M. (2011). Regulação social e acumulação por espoliação–reflexão sobre a essencialidade das teses da financeirização e da natureza do estado na caracterização do capitalismo contemporâneo. Economia e Sociedade, 20 (2), 243-272.

Bellofiore, R. (2014). The Great Recession and the contradictions of contemporary capitalism. In R. Bellofiore & G. Vertova (Eds.), The Great Recession and the contradictions of contemporary capitalism (pp. 7-25). UK: Edward Elgar.

Belluzzo, L. G. (2013). O capital e suas metamorfoses. São Paulo: Ed. Unesp.

Belluzzo, L. G., & Galípolo, G. (2017). Manda quem pode, obedece quem tem prejuízo. São Paulo: Contracorrente.

Boyer, R. (2000). Is a finance-led growth regime a viable alternative to Fordism? A preliminary analysis. Economy and Society, 29 (1), 111-145.

Boyer, R. (2010). The collapse of finance but labour remains weak. Socio-Economic Review, 8 (2), 348-353.

Braga, J. C., Oliveira, G. C. de, Wolf, P. J. W., Palludeto, A. W., & Deos, S. S. de. (2017). For a political economy of financialization: theory and evidence. Economia e Sociedade, 26 (no. esp.), 829-856.

Carcanholo, M. D. (2010). Crise econômica atual e seus impactos para a organização da classe trabalhadora. Revista Aurora, 3 (2), 1-10.

Chesnais, F. (2002). A teoria do regime de acumulação financeirizado: conteúdo, alcance e interrogações. Economia e Sociedade, 11 (1), 1-44.

Chesnais, F. (2005). A finança mundializada. São Paulo: Boitempo.

Chesnais, F. (2014). Fictitious capital in the context of global over-accumulation and changing international economic power relationships. In R. Bellofiore & G. Vertova (Eds.), The Great Recession and the contradictions of contemporary capitalism (pp. 65-82). UK: Edward Elgar.

Chesnais, F. (2016). Finance capital today: corporations and banks in the lasting global slump. Boston: Brill.

Crotty, J. (2003). The neoliberal paradox: the impact of destructive product market competition and impatient finance on nonfinancial corporations in the neoliberal era. Review of Radical Political Economics, 35 (3), 271-279.

Cushen, J., & Thompson, P. (2016). Financialization and value: why labour and the labour process still matter. Work, Employment & Society, 30 (2), 353-365.

Darcillon, T. (2015). How does finance affect labor market institutions? An empirical analysis in 16 OECD countries. Socio-Economic Review, 13 (3), 477-504.

Duménil, G., & Lévy, D. (2005). Costs and benefits of neoliberalism: a class analysis. In G. Epstein (Ed.), Financialization and the world economy (pp. 17-46). Northampton (MA): Edward Elgar.

Dünhaupt, P. (2016). Determinants of labour’s income share in the era of financialisation. Cambridge Journal of Economics, 41 (1), 283-306.

Ertuk, I., Froud, J., Johal, S., Leaver, A., & Williams, K. (2008). Financialization at work: key readings and commentary. London: Routledge.

Fama, E. F., & Jensen, M. C. (1983). Separation of ownership and control. The Journal of Law and Economics, 26 (2), 301-325.

Favereau, O. (2016). The impact of financialisation of the economy on enterprises and more specifically on labour relations. Geneva: International Labour Office (ILO).

Fligstein, N., & Shin, T. J. (2004). The shareholder value society: a review of the changes in working conditions in the U.S., 1976-2000. In K. Neckerman (Ed.), Social inequality. New York: Russell Sage.

Friedman, M. (2007) [1970]. The social responsibility of business is to increase its profits. In W. C. Zimmerli, K. Richter, & M. Holzinger (Eds.), Corporate ethics and corporate governance (pp. 173-178). Berlin: Heidelberg.

Galbraith, J. K. (1968). American capitalism: the concept of countervailing power. USA: Transaction Publishers.

Guttmann, R. (2009). Una introducción al capitalismo conducido por las finanzas. Revista Ola Financiera 2 (2), 20-59.

Guttmann, R. (2016). Finance-led capitalism: shadow banking, re-regulation, and the future of global markets. New York: Palgrave Macmillan.

Hilferding, R. (1985) [1910]. Finance capital: a study of the latest phase of capitalist development. Routledge.

Jensen, M. C. (1993). The modern industrial revolution, exit, and the failure of internal control systems. The Journal of Finance, 48 (3), 831-880.

Jensen, M. C., & Meckling, W. H. (1976). Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3 (4), 305-360.

Jung, J. W. (2010). Shareholder value and workforce downsizing, 1981-2006. (Doctoral Dissertation, Harvard University).

Krippner, G. (2011). Capitalizing on crisis: the political origins of the rise of finance. Harvard: Harvard University Press.

Lapavitsas, C. (2009). Financialised capitalism: crisis and financial expropriation. Historical Materialism, 17 (2), 114-148.

Lapavitsas, C. (2011). Theorizing financialization. Work, Employment and Society, 25 (4), 611-626.

Lavoie, M., & Stockhammer, E. (2013). Wage-led growth: concept, theories and policies. In M.

Lavoie, & E. Stochhammer (Eds.), Wage-led growth: an equitable strategy for economic recovery (pp. 13-39). London: Palgrave Macmillan.

Lazonick, W. (2011, January). Reforming the financialized business corporation. Members-Only Library, “Articles, Papers and Other Resources”. Available in http://www.lerachapters.org/OJS/ojs-2.4.4-1/index.php/LERAMR/article/view/1772/1771

Lazonick, W. (2014). Taking stock: why executive pay results in an unstable and inequitable economy. White Paper, The Roosevelt Institute, New York, June. Available in http://www.theairnet.org/v3/backbone/uploads/2014/08/Lazonick_Executive_Pay_White_Paper_Roosevelt_Institute.pdf

Lazonick, W. (2015). Labor in the twenty-first century: the top 0.1% and the disappearing middle-class. AIR Working Paper, 4, Institute for New Economic Thinking, New York.

Lipietz, A. (1985). The world crisis: the globalisation of the general crisis of fordism. IDS Bulletin, 16 (2), 6-11.

Lupatini, M. (2015). O capital em sua plenitude: alguns dos traços principais do período contemporâneo. (Tese de Doutorado). Rio de Janeiro: Escola de Serviço Social, UFRJ.

Milberg, W., & Winkler, D. (2009). Financialisation and the dynamics of offshoring in the USA. Cambridge Journal of Economics, 34 (2), 275-293.

Mishel, L. & Schieder, J. (2018, August 16). CEO compensation surged in 2017. Economic Policy Institute. Available in https://www.epi.org/publication/ceo-compensation-surged-in-2017/

Pasali, S. S. (2013). Where is the cheese? synthesizing a giant literature on causes and consequences of financial sector development. Policy Research Working Paper, 6655, World Bank.

Possas, M. (1988). O projeto teórico da “escola da regulação”. Novos Estudos Cebrap, 21, 195-212.

Prado, E. (2014). Exame crítico da teoria da financeirização. Crítica Marxista, 39, 13-34.

Sabadini, M. de S. (2011). Trabalho e especulação financeira: uma relação (im)perfeita. Temporalis, 11 (22), 241-269.

Sabadini, M. de S. (2015). Sobre o conceito de capital financeiro. Temporalis, 15 (30), 71-92.

Salama, P. (2018). Prólogo. In M. Schorr, & A. Wainer, (Eds.) La fnanciarización del capital: estrategias de acumulación de las grandes empresas en Argentina, Brasil, Francia y Estados Unidos (pp. 13-26). Buenos Aires: Futuro Anterior Ediciones.

Sauviat, C. (2005). Os fundos de pensão e os fundos mútuos: principais atores da finança mundializada e do novo poder acionário. In F. Chesnais (Ed.), A finança mundializada. São Paulo: Boitempo.

Schorr, M., & Wainer, A. (Eds.) La fnanciarización del capital: estrategias de acumulación de las grandes empresas en Argentina, Brasil, Francia y Estados Unidos. Buenos Aires: Futuro Anterior Ediciones.

Stockhammer, E. (2004). Financialisation and the slowdown of accumulation. Cambridge Journal of Economics, 28 (5), 719-741.

Thompson, P. (2003). Disconnected capitalism: or why employers can't keep their side of the bargain. Work, Employment and Society, 17 (2), 359-378.

Thompson, P. (2013). Financialization and the workplace: extending and applying the disconnected capitalism thesis. Work, Employment and Society, 27 (3), 472-488.

United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) (2011). Development-led globalisation: towards sustainable and inclusive development path. Report of the Secretary-General of Unctad to Unctad XIII/1, United Nations, New York.

Van der Zwan, N. (2014). Making sense of financialization. Socio-Economic Review, 12 (1), 99-129.

Publicado

2020-11-28

Como Citar

Borsari, P. (2020). Consequências da financeirização para os trabalhadores. RBEST Revista Brasileira De Economia Social E Do Trabalho, 2(00), e020013. https://doi.org/10.20396/rbest.v2i00.13501