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A representação dualista do forró em escritos acadêmicos e a diversidade ocorrente
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Palavras-chave

Forró
Diversidade musical
Representação dualista do forró

Como Citar

SANTOS, Climério de Oliveira. A representação dualista do forró em escritos acadêmicos e a diversidade ocorrente. Música Popular em Revista, Campinas, SP, v. 6, n. 2, p. 55–71, 2019. DOI: 10.20396/muspop.v6i2.13161. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/muspop/article/view/13161. Acesso em: 22 jun. 2024.

Resumo

Este artigo trata de uma incongruência entre a diversidade de práticas ocorrentes no forró e a sua representação discursiva pelos acadêmicos. Música popular que Luiz Gonzaga lançou na mídia nos anos 1940 ainda sob o apelido de baião, o forró multiplicou-se ao longo da sua existência, passando a englobar uma variedade de sons e significações atravessados por diferentes discursos. A partir dos anos 1990, o surgimento de bandas de forró alinhadas com a música pop espetacular provoca reações entre os agentes ligados aos forrós que já estavam historicamente estabelecidos. Em meio a tais reações, emerge a categoria “forró tradicional” em oposição ao que passa a ser chamado “forró eletrônico”. Além de ter povoado o cotidiano de empresários, músicos, jornalistas, públicos e até os versos de canções, a longeva bipolarização do forró, ao invés de ser problematizada pelos acadêmicos das ciências humanas, acabou sendo naturalizada em seus trabalhos. O atual artigo, baseado em pesquisa etnomusicológica que inclui a revisão bibliográfica e o trabalho de campo etnográfico, analisa a representação dicotômica do forró no discurso acadêmico, ao passo que sublinha uma diversidade musical ocorrente que desmascara a visão dicotômica, propondo, enfim, uma abordagem que leva em conta as múltiplas práticas musicais ocorrentes.

https://doi.org/10.20396/muspop.v6i2.13161
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