Uma narrativa do Brasil nas memórias e temporalidades das experiências negras no "Diário de Bitita" (1986)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/tematicas.v30i59.15885

Palavras-chave:

Memórias, Temporalidades, Experiências negras, Carolina Maria de Jesus, Diário de Bitita

Resumo

O presente artigo traz uma reflexão crítica das memórias e temporalidades das experiências negras brasileiras que se apresentam na obra Diário de Bitita, publicação póstuma em 1986 da escritora Carolina Maria de Jesus [1914-1977]. Buscamos explorar os contextos de sujeição e resistência presentes na obra que possibilitam discutir, por um lado, a temporalidade e as maneiras de contar sobre si e sobre o mundo que não se encerra em narrativas de dor e sofrimento e, por outro lado, o conjunto de memórias do cotidiano que é capaz de conceber uma narrativa sobre/do Brasil. A articulação temporal do passado escravocrata às experiências de opressão e desigualdades sociais e raciais encenadas em Diário de Bitita, elaboram uma narrativa que tensiona imaginários nacionais hegemônicos, entre eles a ideia de democracia racial. Ademais, a denúncia e crítica social constitutiva da obra é pavimentada por um estilo estético e poético composto de ironias, lembranças, sonhos e desejos. 

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Biografia do Autor

Amanda Moura Souto, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestranda em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional.

Matheus Silva Freitas, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestrando em Educação na Universidade Federal de Minas Gerais. 

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Publicado

2022-06-10

Como Citar

SOUTO, A. M.; FREITAS, M. S. Uma narrativa do Brasil nas memórias e temporalidades das experiências negras no "Diário de Bitita" (1986). Tematicas, Campinas, SP, v. 30, n. 59, p. 165–192, 2022. DOI: 10.20396/tematicas.v30i59.15885. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/15885. Acesso em: 5 dez. 2022.