Viver em “comunidade”

notas sobre a casa como espaço da produção de corpos (d)e parentes Kaingang

Autores

  • Patrícia Carvalho Rosa Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/tematicas.v21i42.11032

Palavras-chave:

kaingang, Casa, Comunidade, Parentesco

Resumo

O senso de comunidade kaingang se resume como um ideal de convivialidade enquanto um grupo político e afetivo constituído por meio de relações empenhadas fundamentalmente na produção de corpos (d)e parentes, cuja duração conforma os espaços de socialidade que o caracteriza como uma economia política dos afetos. Se há “comunidade” é porque anterior a ela existe uma complexa teia de ações inter-relacionadas no âmbito das casas. Neste sentido, a ênfase descritiva concerne na apresentação dos modos de conceituar casa e comunidade no interior de um grupo indígena, onde cada uma dessas partes é composta por múltiplos espaços e tecida através de relações de
parentalidade, estando cada qual concebida de modo particular, de acordo com as ações desempenhadas pelos sujeitos que o conformam. Para tanto, opta-se pela descrição de alguns princípios de agregação indígenas que desvelam uma complexidade relacional e política vinculadas à produção de laços de parentesco, “das pessoas como parentes”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Patrícia Carvalho Rosa , Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas.

Referências

ALMEIDA, L. Análise antropológica das igrejas cristãs entre os kaingang baseada na etnografia, na cosmologia e dualismo. Florianópolis, 2004. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. UFSC.

BECKER. I. O índio kaingang no Rio Grande do Sul. Pesquisas. São Leopoldo: Instituto Anchetietano de Pesquisas, Jonathan (Ed.). 1976.

CAIUBY, S. (Org.). Habitações indígenas. São Paulo: Nobel. Editora da USP, 1983.

CARNEIRO DA CUNHA, M. Os mortos e os outros: uma análise do sistema funerário e da noção de pessoa entre os índios Krahó. São Paulo: Hucitec, 1978.

CARSTEN, J.; Stephen Hugh-Jones. (Eds.). About the house: Lévi-Strauss and beyond. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.

CARVALHO ROSA, P. Para deixar crescer e existir : sobre a produção de corpos e pessoas kaingang. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação UNB, 2011a.

CARVALHO ROSA, P. Criando-se kafy: construindo corpos e pessoas kaingang. Trabalho apresentado na III Reunião Equatorial de Antropologia (REA) e no XII Encontro dos Antropólogos do Norte e Nordeste (ABANNE), ocorridos entre 14 a 17 de agosto de 2011, em Boa Vista, RR, 2011b.

COELHO DE SOUZA, M. O traço e o círculo: o conceito de parentesco entre os jê e seus antropólogos. Rio de Janeiro, 2002. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ.

COELHO DE SOUZA, M. Parentes de sangue: incesto, substância e relação no pensamento timbira. Mana. 10 (1), p. 25-59, 2001.

CRÉPEAU, R. Mito e ritual entre os índios kaingang do Brasil meridional. Horizontes Antropológicos. Porto Alegre: PPGAS, v. 6, p. 173-186, 1997.

CRÉPEAU, R. A prática do xamanismo entre os kaingang do Brasil meridional: uma breve comparação com o xamanismo Bororo. Horizontes Antropológicos. Porto Alegre: PPGAS, ano 8, n. 18, p. 113-129, 2002.

CRÉPEAU, R. Os Kamé vão sempre primeiro: dualismo social e reciprocidade entre os kaingang. Anuário Antropológico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2005.

DAMATTA, R. Um mundo dividido: a estrutura social Apinajé. Petrópolis: Vozes, 1976.

DESCOLA, P. Par delà nature et culture. Paris: Gallimard, 2005.

FERNANDES, C. Política e parentesco entre os kaingang: uma análise etnológica. Tese de Doutorado. São Paulo, 2003. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/USP.

HUGH-JONES, C. From the milk river: spatial and temporal processes in northwest Amazonia. Cambridge: Cambridge University Press, 1979.

HAMBERGER, K. Por uma teoria espacial do parentesco. Mana. Abril, v. 11, n. 1, p. 155-199, 2005.

HUGH-JONES, S. The palm and the pleiades: initiation and cosmology in northwest Amazonia. Cambridge: Cambridge University Press, 1979.

LAGROU, E. M. A fluidez da forma: arte, alteridade e agência em uma sociedade amazônica. Kaxinawa, Acre: 2007.

LASMAR, C. De volta ao Lago de Leite: a experiência da alteridade em São Gabriel da Cachoeira (Alto Rio Negro). Rio de Janeiro: 2002. Tese de Doutorado/PPGAS. Museu Nacional/UFRJ.

LEA, V. Nomes e Nekrets Kayapó: uma concepção de riqueza. Rio de Janeiro: 1986. Tese de Doutorado. Museu Nacional/UFRJ.

LEA, V. Gênero feminino Mebengokre (Kayapó). Cadernos Pagu. (3) p. 85-116, 1994.

LÉVI-STRAUSS, C. Paroles données. Paris: Plon, 1984.

MABILDE, P. A. F. B. Apontamentos sobre os indígenas selvagens da nação Coroados dos Matos da Província do Rio Grande do Sul: 1836-1866. São Paulo-Brasília: Ibrasa/INL. Fundação Nacional Pró-Memória, 1983.

MCCALLUM, C. Alteridade e sociabilidade kaxinawá: perspectivas de uma antropologia da vida diária. Revista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo, v. 13, n. 38, 1998.

MCCALLUM, C. Gender and sociality in Amazonia: how real people are made. Oxford: Berg, 2001.

MCCALLUM, C. O corpo que sabe: da epistemologia kaxinawá para uma antropologia das terras baixas sul-americanas. ALVES, P. C. & RABELO, M. C. (Orgs.). Antropologia da saúde: traçando identidade e explorando fronteiras. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/Relume Dumará, p. 215-245, 2005.

NIMUENDAJÚ, C. U. Etnografia e indigenismo. Sobre os kaingang, os ofaié-xavantes e os índios do Pará. Campinas, São Paulo: Editora da UNICAMP, 1993[1914].

OVERING, J. A estética da produção: o senso de comunidade entre os Cubeo e os Piaroa. Revista de Antropologia. São Paulo, v. 34, p. 7-33, 1991.

OVERING, J. O elogio ao cotidiano: a confiança e a arte da vida social em uma comunidade amazônica. Mana. 5 (1), p. 85-107, 1999.

OVERING, J.; PASSES, A. (Org.). The Anthropology of lover and anger: the asthetics of conviviality in native Amazônia. London and New York: Routledge, 2000.

ROSA, R. Os Kujà são diferentes: um estudo etnológico do complexo xamânico dos kaingang da terra indígena Rio da Várzea. Porto Alegre. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/UFRGS, 2005.

STRATHERN, M. The gender of the gift: problems with women and problems with society in Melanesia. Berkeley: University of California Press, 1988.

STRATHERN, M. Parts and wholes: refiguring relatioships in a post-plural world. Conceptualizing society. Edited by Adam Kuper. European Association of Social Anthropologists. Routledge, 1992.

STRATHERN, M. Same-sex and Cross-sex relations: some internal comparison. T. Gregor and D.Tuzin (Eds.) Gender in Amazonia and Melanesia: an exploration of the comparative method. Berkeley: University of California Press, 2001.

SEYMOUR-SMITH, C. Women have no affines and men have no kin: the politics of the jivaroan gender relations. Man. New Series, v. 26, n. 4 (Dec. 1991), p. 629-649, 1991.

VEIGA, J. Organização Social e cosmovisão kaingang: uma introdução ao parentesco, casamento e nominação em uma sociedade Jê Meridional. Campinas, 1994. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Universidade Estadual de Campinas/Unicamp.

VEIGA, J. Cosmologia e práticas rituais kaingang. Campinas, 2000. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Universidade Estadual de Campinas/Unicamp.

VIVEIROS DE CASTRO. E. Alguns aspectos da afinidade no dravidianato amazônico. Amazônia: etnologia e história indígena. Viveiros de Castro, Eduardo, Cunha, Manuela Carneiro da, (Orgs). São Paulo: Núcleo de História Indígena e Indigenismo da USP. FAPESP.

Downloads

Publicado

2013-12-30

Como Citar

ROSA , P. C. . Viver em “comunidade”: notas sobre a casa como espaço da produção de corpos (d)e parentes Kaingang. Tematicas, Campinas, SP, v. 21, n. 42, p. 115–149, 2013. DOI: 10.20396/tematicas.v21i42.11032. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/11032. Acesso em: 25 jan. 2022.

Edição

Seção

Dossiê