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CHAMADA NOVO DOSSIÊ TEMÁTICO RIDPHE_R – SUBMISSÃO DE ARTIGOS ATÉ 04-10-2020

2020-07-31

ESCREVENDO A LEITURA, NO ENSINO E NA FICÇÃO: PRODUZINDO FONTES, APROPRIANDO-SE DE NARRATIVAS.

                                                                      

Organizadores:

Carolina Duarte Damasceno (UFU)

Júlio de Souza Valle Neto (UNIFESP)                                                         

Ricardo Gaiotto de Moraes (UFSC)

 

Detendo-se sobre a relação entre leitura e criação, Bertrand Gervais (2013, p. 39), comenta: “Escrever é ler ou haver lido, é perseguir uma relação e lhe dar um novo impulso”. Nesse prisma, o ato de ler e escrever são vistos como facetas complementares do processo de apropriação da obra, que permite “fazer seu o que os outros escreveram e fazer reconhecer como seu o que o outro pensa e quer dizer” (GERVAIS, 2013, p.40).

Pensar a escrita como uma reação do leitor ao texto lido, cujos ecos reverberam naquele que irá escrever, pode ser uma das formas de mapear a subjetividade inerente à leitura literária. No âmbito escolar, a relação entre literatura e experiência tem sido explorada pela leitura subjetiva, vertente teórica que surge na França nos anos 2000, conhecida no Brasil principalmente pelos trabalhos de Annie Rouxel e Gérard Langlade. Entre as propostas sugeridas para revitalizar o ensino de literatura na Educação Básica, destaca-se a escrita de diários de leitura e autobiografias de leitor, que, além de darem destaque à figura do leitor real e aos impactos do texto literário sobre o sujeito, criam interessantes imbricações entre leitura e escrita.

Já na ficção, a cena do ato de leitura literária figura como testemunho de experiência e formação, constituindo também gesto crítico no qual o autor acena para a possibilidade de inscrever-se em uma linhagem artística. Além disso, as apropriações de outras narrativas pelo autor, cujos rastros, mais ou menos visíveis, podem incluir a alusão, a paródia ou o pastiche, parecem cultivar, como observa Gervais, o pertencimento a determinadas comunidades de leitura, confirmando a premissa de que “escrever é haver lido”. Ou ainda, como lembra Michel Schneider, parecem sugerir que “a literatura é sempre de segundo grau [...] em relação a ela mesma” (1990, p. 63). Desse modo, esses rastros podem ser lidos, em algum nível, como índices de formação do escritor-leitor.

Diante dessas questões, a Revista Iberoamericana do Patrimônio Histórico-Educativo (2020) acolherá artigos que tratem das escritas sobre a leitura, tanto no âmbito das práticas e experiências no ensino de literatura quanto na esfera da produção literária. São benvindas, enfim, contribuições nas quais seja possível vislumbrar o aluno ou o autor “escrevendo a leitura, no ensino e na ficção”.

 

Referências Bibliográficas

GERVAIS, B. “Três personagens em busca de leitores: uma fábula”. Tradução de Arlete Cipolin. In: ROUXEL, A.; LANGLADE, G.; REZENDE, N. L. de. (orgs). Leitura subjetiva e ensino de literatura. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2013.

SCHNEIDER, M. Ladrões de palavras: ensaio sobre o plágio, a psicanálise e o pensamento. Tradução de Luiz Fernando P. N. Franco. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

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Publicado: 2020-04-30
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