O sagrado transgressor nos corpos incandescentes de Linn da Quebrada e Baco Exu do Blues
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Palavras-chave

Linn da Quebrada
Baco Exu do Blues
Sagrado
Segredo
Transgressão
Religião
Erotismo

Como Citar

OLIVEIRA, Paola Lins de. O sagrado transgressor nos corpos incandescentes de Linn da Quebrada e Baco Exu do Blues. Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, SP, v. 11, n. 2, p. 147–167, 2021. DOI: 10.20396/proa.v11i2.16562. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/proa/article/view/16562. Acesso em: 14 abr. 2024.

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar a concepção de sagrado que emerge nos trabalhos de Linn da Quebrada e Baco Exu do Blues, artistas que vêm se destacando na cena contemporânea a partir da música, irradiando sua atuação também para a performance, o audiovisual, a moda, entre outras linguagens. Partindo de temas como o erotismo, a sexualidade, o segredo, assim como a apropriação impensada de elementos religiosos institucionalizados, como orixás e deuses, identifico os contornos de uma força transgressora, atraente e repulsiva, que compõe o sagrado na obra de Linn e Baco. Minha aposta é a de que, considerando as devidas diferenças entre artistas, seus trabalhos contestam as bases sociais que sustentam o racismo, o machismo e a Lgbtfobia, entendendo o sagrado hegemônico branco, masculino e heteronormativo como um dos seus pilares. Consequentemente, sua proposta produz uma concepção alternativa de sagrado em sintonia com a prática artística voltada para a resistência, a subversão e mudança da sociedade.

https://doi.org/10.20396/proa.v11i2.16562
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