A representação do movimento e o duplo estatuto do corpo

Autores

  • Cristian Borges Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/visuais.v7i2.15911

Palavras-chave:

Representação do movimento, Oskar Schlemmer, Corpo, Cinesfera, Cine-olho

Resumo

Ao traçar um breve panorama da representação do movimento, da arte parietal pré-histórica, passando pelo Renascimento e pelas vanguardas artísticas do início do século XX, até chegar à era das imagens digitais, percebemos como a figura humana passa a exercer um papel cada vez mais central nesse tipo de representação dinâmica. A partir das noções de “cinesfera” (Rudolf Laban) e “egosfera” (Oskar Schlemmer), identificamos nesse percurso um duplo estatuto do corpo: ora funcionando como ponto de ancoragem da arquitetura espacial, ora como ponto cego de um olhar móvel e maquínico que remete ao “cine-olho” vertoviano.

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Biografia do Autor

Cristian Borges, Universidade de São Paulo

Doutor em Cinema e Audiovisual pela Universidade Sorbonne Nouvelle-Paris III.  Professor do
Departamento de Cinema, Rádio e Televisão e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade de São Paulo.

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Publicado

2021-12-16

Como Citar

BORGES, C. A representação do movimento e o duplo estatuto do corpo. Revista Visuais, Campinas, SP, v. 7, n. 2, p. 9–31, 2021. DOI: 10.20396/visuais.v7i2.15911. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/visuais/article/view/15911. Acesso em: 27 set. 2022.