Banner Portal
Transitando entre incertezas científicas e práticas eficazes
PDF

Palavras-chave

Yoga
Meditação
Legitimidade Científica
Práticas de Saúde

Como Citar

NEGREIROS, Miriam Vidal de. Transitando entre incertezas científicas e práticas eficazes: o yoga e a meditação como alternativas para dores e remédios. Tematicas, Campinas, SP, v. 28, n. 55, p. 123–162, 2020. DOI: 10.20396/tematicas.v28i55.14151. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/14151. Acesso em: 21 abr. 2024.

Resumo

O artigo é resultado de uma etnografia realizada em uma UBS na cidade de São Paulo sobre o uso das práticas integrativas e complementares, particularmente yoga e meditação, através da indicação das profissionais de saúde às pacientes da referida UBS. As narrativas apresentam o ponto de vista das profissionais de saúde sobre essas práticas no Sistema Público de Saúde quanto aquele das pacientes sobre os efeitos desse tratamento. Na prática cotidiana, as narrativas das profissionais apontam para a adesão dessas práticas em concomitância ao uso do tratamento alopático, ocasionando a redução de medicamentos, amenizando seus efeitos colaterais; ou, ainda, suspendendo-os e utilizando as práticas de yoga e de meditação para casos de ansiedade e depressão leve, ocupando a rede de atendimento como recursos terapêuticos cada vez mais utilizados, sem descartar as tensões implicadas nessa coexistência de saberes.

 

https://doi.org/10.20396/tematicas.v28i55.14151
PDF

Referências

AURELIANO, Waleska. Espiritualidade, saúde e as artes de cura no contemporâneo: indefinição de margens e busca de fronteiras em um centro terapêutico espírita no sul do Brasil. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.

AZIZE, Rogério Lopes. Antropologia e medicamentos: Uma aproximação necessária. Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCar, v.4, n.1, jan.-jun., p. 134-139, 2012. Disponível em: http://www.rau.ufscar.br/wp-content/uploads/2015/05/vol4no1_07.AZIZE_.pdf. Acesso em: 08 jan. 2018.

BARROS, Nelson; OTANI, Márcia; LIMA, Paulo. Medicina alternativa, complementar e integrativa: problema, dilema e desafio para o campo da saúde. Einstein. Educação continuada em saúde, v. 8, p. 148-150, 2010.

BRASIL; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 702, de 21 de março de 2018. Altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares-PNPIC. Diário Oficial da União, 2018.

BRASIL; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 849, de 27 de março de 2017. Inclui a arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Diário Oficial da União, 2017.

BRASIL; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, v. 84, 2006.

CALAZANS, Roberto; PONTES, Samira; RESENDE, Marina. O DSM-5 e suas implicações no processo de medicalização da existência. Psicologia Revista, Belo Horizonte, v. 21, n.3, 2015. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-11682015000300008. Acesso em: 13 jan. 2020.

CAPONI, Sandra. O DSM-V como dispositivo de segurança. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.24, n. 3, 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73312014000300741. Acesso em: 13 jan. 2020.

CLIFFORD, James. Sobre a autoridade etnográfica. In: CLIFFORD, James. A Experiência Etnográfica. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 2008.

DESCLAUX, Alice. O Medicamento, Um Objeto de Futuro na Antropologia da Saúde. Revista Mediações, Londrina, v. 11, v. 2, p. 113-130, jul.-dez. 2006.

DUARTE, Luis Fernando; LEAL, Ondina (Orgs.). Doença, sofrimento, perturbação: perspectivas etnográficas. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1998. Disponível em: http://books.scielo.org/id/yw42p. Acesso em: 24 nov. 2016.

ESTRATÉGIA da OMS sobre a Medicina Tradicional 2002-2005. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_docman&view=document&slug=estrategia-oms-sobre-medicina-tradicional-2002-2005-6&layout=default&alias=796-estrategia-oms-sobre-medicina-tradicional-2002-2005-6&category_slug=vigilancia-sanitaria-959&Itemid=965. Acesso em: 08 jul. 2020.

ESTRATÉGIA da OMS sobre a Medicina Tradicional 2014-2023: Disponível em: https://www.who.int/medicines/publications/traditional/trm_strategy14_23/en/. Acesso em: 08 jul. 2020.

FLEISCHER, Soraya. Uso e Circulação de Medicamentos em um Bairro Popular Urbano na Ceilândia, DF. Revista Saúde Sociedade, São Paulo, v. 21, n. 2, p. 410-423, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902012000200014&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso 24 out. 2017.

FOUCAULT, Michel. O nascimento da clínica. Tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária, 2008.

FOUCAULT, Michel. Os corpos dóceis. In. FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987.

INCORPORAÇÃO de práticas integrativas no SUS ignora prioridades na alocação de recursos, diz CFM em nota. Conselho Federal de Medicina. Disponível (CFM), 13 de março de 2018. Disponível em: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=27485:2018-03-13-20-08-31&catid=3. Acesso em: 21 mar. 2018.

KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1998.

LE BRETON, David. Antropologia do Corpo e Modernidade. Tradução de Fábio dos Santos Creder Lopes. Petrópolis: Editora Vozes. 2011.

LUZ, Madel Therezinha; NASCIMENTO, Marilene Cabral; BARROS, Nelson Filice; NOGUEIRA, Maria Inês. A categoria racionalidade médica e uma nova epistemologia em saúde. Ciência Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 12, 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232013001200016. Acesso em: 20 jan. 2020.

MALUF, Sonia Weider. Gênero, Saúde e Aflição: Políticas Públicas, Ativismo e Experiências Sociais. In: MALUF, Sônia Weider; TORNQUIST, Carmen Susana (Orgs.). Gênero, saúde e aflição: abordagens antropológicas. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2010.

MINAYO, Maria Cecília de Souza, SOUZA, Helena de Oliveira. Na dor do corpo, o grito da vida. In: RAMOS, Célia Leitão; MINAYO, Maria Cecília de Souza; STOTZ, Eduardo Navarro. (Orgs.). Demandas populares, políticas públicas e saúde. Coleção saúde e realidade brasileira. Petrópolis: Vozes, 1989.

MOL, Annemarie; LAW, John. Embodied Action, Enacted Bodies. The Example of Hypoglycaemia. Body & Society, v. 10, n. 2-3, p. 43-62, 2004. Disponível em: http://www.heterogeneities.net/publications/MolLaw2004EmbodiedAction.pdf. Acesso em: 10 mai. 2016.

NEGREIROS, Miriam Vidal de. Uma antropologia de incertezas entre a biomedicina e a eficácia das práticas de yoga e meditação no SUS. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS-EFLCH), Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2018. Disponível em: http://www.repositorio.unifesp.br/handle/11600/52106. Acesso em: 16 mar. 2020.

PIGNARRE, Philippe. ¿Los antidepressivos nos fabrican um nuevo psiquismo?. In: MANCINI, Silvia. La fabricación del psiquismo: prácticas rituales em el cruce de las ciencias humanas y las ciencias de la vida. Tradução de Hernán Diaz. Buenos Aires: Libros de la Araucaria, 2008.

PIGNARRE, Philippe. A Revolução dos antidepressivos e da medida. Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCar, v.4, n.1, jan.-jun., p.140-145, 2012. Disponível em: http://www.rau.ufscar.br/wp-content/uploads/2015/05/vol4no1_08.PIGNARRE.pdf. Acesso em: 05 fev. 2018.

RIBEIRO, Mauro. [Entrevista concedida a] Programa Entre Aspas, 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-HZwKoOIi_c. Acesso em: 21 de mar. 2018.

RIBEIRO, Mauro. [Entrevista concedida a] Record News, 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-HZwKoOIi_c. Acesso em: 21 mar. 2018.

SARTI, Cynthia Andersen. Corpo e Doença no trânsito de Saberes. Revista Brasileira de Ciências Sociais. v. 25, n. 74, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v25n74/a05v2574.pdf. Acesso em: 11 jan. 2016.

TELESI JUNIOR, Emilio. Práticas integrativas e complementares em saúde, uma nova eficácia para o SUS. Estudos Avançados, São Paulo, v. 30, n. 86, jan.-apr. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142016000100099. Acesso em: 09 jan. 2018.

TRUMBO, Dalton; DOCTOROW, Edgar Laurence. Johnny got his gun. Citadel Press, 2007.

VICE-presidente do CFM rebate “práticas integrativas” na Globo News e Record News. Conselho Federal de Medicina. Disponível (CFM), 14 de março de 2018. em: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=27489:2018-03-14-17-19-33&catid=3. Acesso em: 21 mar. 2018.

WACQUANT, Loic. Corpo e alma. Notas etnográficas de um aprendiz de boxe. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará. 2002.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Depression and other common mental disorders: global health estimates. No. WHO/MSD/MER/2017, 2017. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/254610/1/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf?ua=1. Acesso em: 08 de jan. 2018.

Creative Commons License

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.

Copyright (c) 2020 Miriam Vidal de Negreiros

Downloads

Não há dados estatísticos.