Trabalho feminino no cerne do mercado de trabalho

Autores

  • Antonella Picchio Universidade de Modena e Reggio Emilia

DOI:

https://doi.org/10.20396/tematicas.v26i52.11704

Palavras-chave:

Trabalho feminino, Trabalho doméstico, Produção capitalista e reprodução social, Mercado de trabalho, Movimento feminista

Resumo

Ao explicitar a dimensão capitalista do trabalho doméstico, este artigo propõe uma mudança importante na perspectiva analítica (e política) sobre as interações entre família e mercado de trabalho. A partir de uma análise estatística sobre a distribuição do tempo dedicado ao trabalho doméstico entre mulheres e homens na Itália e na França do final da década de 1980; de confrontar de forma veemente os pressupostos neoclássicos, especialmente a visão da família presente nas obras de Gary Becker; de questionar o potencial político das mulheres trabalhadoras apenas relacionado ao assalariamento, neutralizando o trabalho doméstico; e de abordar o Estado como a instituição que regula o arranjo entre o processo de acumulação e o processo de reprodução social, a autora argumenta que o trabalho doméstico seria o elo na relação entre a produção e a reprodução que sustenta o processo de acumulação de capital. Na sua análise do sistema capitalista, a exploração do trabalho para a reprodução e o controle das mulheres ganham centralidade, pois garantem a quantidade e qualidade do trabalho de produção necessário à acumulação. Sendo assim, é também a partir da questão da reprodução que se compreende a forma dos conflitos sociais, de classes e de gênero, o papel do Estado e a constituição das mulheres como sujeito político.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Antonella Picchio, Universidade de Modena e Reggio Emilia

Professora de Economia Política pela Universidade de Modena e Reggio Emilia, na Itália.

Referências

BALBO, L. Crazy Quilts: Rethinking the Welfare State Debate from a Woman’s Point of View. In: Showstack Sasson, ed. Women and the State. London, Hutchinson, 1987.

BECKER, G. An Economic Analysis of Fertility. In: Demographic and Economic Change in Developed Countries. NBER, Princeton, Princeton University Press, 1960.

BECKER, G. A Treatise on the Family. Cambridge, Harvard University Press, 1981.

BECKER, G. Family. In: EATWELL, J.; MILGATE, M. & NEWMAN, P., eds. The New Palgrave Dictionary of Political Economy. London, Macmillan, 1987.

BEECHEY, V. & PERKINS, T. Women, Part-Time Work and the Labour Market. Cambridge, Polity Press, 1987.

BRAIDOTTI, R. Patterns of Dissonance. Cambridge, Polity Press, 1991.BROCAS, et. al. Women and Social Security, Geneva, ILO, 1990.

BRYDON, L. & CHANT, S. Women in the Third World: Gender Issues in Rural and Urban Areas. Aldershot, Edward Elgar, 1989.

DALLA COSTA, M. & JAMES, S., The Power of Women and the Subversion of the Community. Bristo, Falling Wall Press, 1972.

DEERE, C. D. Rural Women ́s Subsistence Production in the Capitalist Periphery. In Review of Radical Political Economy, vol. 8, p. 9-17, 1976.

DONINI, E. La nube e il limite, donne, scienza, percorsi nel tempo. Turin, Rosenberg and Sellier, 1990.

EUROSTAT. Employment and Unemployment. Brussels, EEC, 1989.

FADIGA ZANATTA, A. L. Donne e lavoro. In: ISTAT, Associazione Italiana di Sociologia, Inmagini della Societa’ Italiana, Rome, ISTAT, 1988.

Downloads

Publicado

2018-12-30

Como Citar

PICCHIO, A. Trabalho feminino no cerne do mercado de trabalho. Tematicas, Campinas, SP, v. 26, n. 52, p. 69–104, 2018. DOI: 10.20396/tematicas.v26i52.11704. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/11704. Acesso em: 5 out. 2022.

Edição

Seção

Tradução