Relações familiares, gênero e o grande contrário

tonalidades totalitárias no Brasil da crise

Autores

  • Juliana Spagnol Sechinato Universidade Federal de São Carlos
  • Rodrigo Fessel Sega Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/tematicas.v24i47/48.11121

Palavras-chave:

Conflito, Estigma, Redes de poder, Performatividade, Massas

Resumo

O recente processo deimpeachmentda presidenta Dilma Rousseff e a tomada presidencial de Michel Temer, em 2016, não foi consenso entre os brasileiros. Participando cotidianamente do debate político marcado por forte estigmatizações sociais, por vezes, tratávamos e tratamos o outro como um rival. Neste ambiente polarizado, muitas vezes, a estratégia dos sujeitos foi de ridicularizar, excluir e/ou negar o outro. Nesse sentido, este artigo é um esforço em compreender este período de atropelamentos políticos que estamos vivenciando e sentindo no cotidiano quando dentro da família temos que conviver com um “grande contrário” em tempos de crise; em revelar um conflito latente com aqueles que amamos e que esse cenário de crise não poupou. Partimos de experiências e dos relatos cotidianos para entender essas tensões políticas com tonalidades autoritárias que se acomodaram no ambiente familiar quando hostilidade e amor, enfim, se confundiram. Destacamos, ainda, as assimetrias de gênero no seio e no conflito familiar em que os estereótipos emergem do conflito político, para pensar como a negação do outro, ao mesmo tempo em que pode representar o salvamento de si, não o faz sem causar sofrimento no deslocamento e na suspensão destatus na cédula familiar.

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Biografia do Autor

Juliana Spagnol Sechinato, Universidade Federal de São Carlos

Mestra em Antropologia Social pelo Programa de Pós Graduação em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos.

Rodrigo Fessel Sega, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em Sociologia no Programa de Pós-Graduação em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2016-12-30

Como Citar

SECHINATO, J. S.; SEGA, R. F. Relações familiares, gênero e o grande contrário: tonalidades totalitárias no Brasil da crise. Tematicas, Campinas, SP, v. 24, n. 47, p. 201–222, 2016. DOI: 10.20396/tematicas.v24i47/48.11121. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/11121. Acesso em: 4 dez. 2022.