A África na historiografia e na história da Antropologia

reflexões sobre “natureza africana” e propostas epistemológicas

Autores

  • Guilherme Oliveira Lemos Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.20396/tematicas.v23i45/46.11105

Palavras-chave:

Natureza africana, Epistemologia, Historiografia, Antropologia, Conhecimento, Poder, Estudos africanos

Resumo

A produção de conhecimento sobre África, com a metodologia daquilo que se convencionou chamar “rigor científico”, se confunde com o desenvolvimento das ciências humanas na Europa e nos Estados Unidos entre os finais do século XIX e início do século XX. Enquanto produção de conhecimento humano esses estudos também se confundem com os acontecimentos de sua época que moldavam não só as experiências desses cientistas, como também as expectativas em torno si mesmos e de seus objetos – no caso, as populações do continente africano. Portanto, o objetivo deste artigo é compreender, no desenvolvimento dessas ciências, as práticas discursivas que demarcaram a suposta “natureza africana”.

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Biografia do Autor

Guilherme Oliveira Lemos, Universidade de Brasília

Mestrando em História do Programa de Pós-Graduação em História pela Universidade de Brasília.

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Publicado

2015-12-30

Como Citar

LEMOS, G. O. A África na historiografia e na história da Antropologia: reflexões sobre “natureza africana” e propostas epistemológicas. Tematicas, Campinas, SP, v. 23, n. 45, p. 155–182, 2015. DOI: 10.20396/tematicas.v23i45/46.11105. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/tematicas/article/view/11105. Acesso em: 8 dez. 2022.