Espaço escolar e ciências: relações entre as prescrições governamentais e o ensino

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20888/ridphe_r.v6i00.12304

Palavras-chave:

ensino de ciências, arquitetura escolar, processo de equiparação

Resumo

Tendo como pressuposto que o espaço não é neutro, sempre educa, o artigo problematiza as mudanças ocorridas no Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo durante as primeiras décadas do século XX, num momento em que gabinetes, laboratório e museu vinculados ao ensino de ciências foram constituídos. A análise considera os princípios educacionais e religiosos que orientavam a instituição, assim como as prescrições governamentais relacionadas à obtenção do título de equiparação. O estudo indica que o colégio reordenou o espaço escolar de acordo com uma proposta que valorizava o ensino prático e experimental – salas foram criadas e organizadas com mobiliários e artefatos próprios para as disciplinas científicas, possibilitando outras formas de circulação, interação e ensino.

Biografia do Autor

Luna Abrano Bocchi, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo

Professora da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG - unidade Passos). Possui graduação em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006), mestrado em Educação pela mesma universidade (2013) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2020).

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Publicado

2020-06-03

Como Citar

BOCCHI, L. A. Espaço escolar e ciências: relações entre as prescrições governamentais e o ensino. RIDPHE_R Revista Iberoamericana do Patrimônio Histórico-Educativo, Campinas, SP, v. 6, n. 00, p. e020004, 2020. DOI: 10.20888/ridphe_r.v6i00.12304. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/ridphe/article/view/12304. Acesso em: 22 jan. 2021.