Moenda de Heitor dos Prazeres, medalha de prata na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rhac.v2i2.15139

Palavras-chave:

Heitor dos Prazeres, Modernismo, Modernidade negra, Cultura política, Relações raciais

Resumo

Analiso nesse artigo a premiação da tela Moenda de Heitor dos Prazeres na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, identificando que projeto de modernidade sua láurea defendia naquele momento. Para tal, examinei a recepção na imprensa das atividades de Prazeres enquanto músico e pintor nas mais de duas décadas entre o início da sua profissionalização e a premiação, em 1951. Dessa forma, localizei um diálogo estreito com debates sobre a constituição de um projeto de identidade nacional, e com uma cultura política produzida por intelectuais negros atentos à constante reelaboração dos mecanismos de desigualdade racial em que Prazeres estava implicado enquanto um homem negro. A partir dessas análises, proponho, por fim, retomar à tela Moenda, buscando entender que anseios de modernidade sua premiação representava.

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Biografia do Autor

Bruno Pinheiro, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2021-12-22

Como Citar

PINHEIRO, B. Moenda de Heitor dos Prazeres, medalha de prata na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Revista de História da Arte e da Cultura, Campinas, SP, v. 2, n. 2, p. 119–141, 2021. DOI: 10.20396/rhac.v2i2.15139. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/rhac/article/view/15139. Acesso em: 2 fev. 2023.

Edição

Seção

Artigos