“Ô abre alas que eu quero passar”
Uma foto de pés descalços com adornos de conchas nos tornozelos em meio a areia, com a marca da revista exibida na parte inferior central da imagem.
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ALVES, Carolina Gonçalves. “Ô abre alas que eu quero passar”: rompendo o silêncio sobre a negritude de Chiquinha Gonzaga. Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, SP, v. 10, n. 1, p. 18–36, 2020. DOI: 10.20396/proa.v10i1.17604. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/proa/article/view/17604. Acesso em: 15 jul. 2024.

Resumo

Neste artigo, discuto a consolidação da imagem de Chiquinha Gonzaga, personagem central para a história do choro carioca. As disputas travadas no processo de construção de sua memória têm raízes profundas no projeto político de branqueamento da população brasileira, iniciado no contexto do pós-abolição. As representações históricas de Chiquinha Gonzaga podem revelar aspectos fundamentais para a compreensão do racismo brasileiro que endossa o branqueamento de personagens negros da nossa história. Para refletir sobre os silêncios a respeito da negritude de Chiquinha, analiso as interpretações da personagem por atrizes brancas no teatro e na TV. O silêncio sobre a sua negritude será discutido à luz das recentes lutas pós-coloniais que têm estimulado revisões do passado, disputando narrativas e propondo reformulações epistemológicas que reivindicam uma escrita produzida nos marcos da experiência colonial.

https://doi.org/10.20396/proa.v10i1.17604
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