Os violinistas de Cabo Verde e seu papel na conversão de músicas europeias do século XIX em tradição local

Autores

  • Gláucia Nogueira Universidade de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.20396/muspop.v7i00.14675

Palavras-chave:

violino em Cabo Verde, hibridização, apropriação, antropofagia cultural, mazurca

Resumo

Músicas e danças de salão que estavam em voga na Europa no século XIX penetraram em Cabo Verde e integraram-se, como em outras partes do mundo, nas práticas de sociabilidade e entretenimento da população local, transformando-se, com o passar do tempo, em elementos do cenário cultural das ilhas. Bandas municipais e militares e também músicos anônimos e em geral autodidatas tiveram um papel na cabo-verdianização de expressões musicais como polcas, valsas, mazurcas, schottisches, galopes, etc. Esses músicos animavam os bailes e as festas das elites, nos quais essas músicas eram fruídas, num primeiro momento da sua presença no arquipélago. Ao longo de décadas apropriaram-se delas “antropofagicamente” dando-lhes feição local, ao mesmo tempo que as disseminavam por outros contextos geográficos e sociais. Os violinistas tiveram um papel de relevo nesse processo e é sobretudo a eles que se dedica, nesse artigo, uma atenção que procura dar-lhes visibilidade e evidenciar o seu papel na transformação de músicas de origem europeia numa tradição cabo-verdiana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gláucia Nogueira, Universidade de Coimbra

Doutora em Patrimónios de Influência Portuguesa, vertente Estudos Culturais, pela Universidade de Coimbra.

Referências

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. Vida privada e ordem privada no Império. Em Luiz Felipe de Alencastro (org.) História da vida privada no Brasil: Império – A corte e a modernidade nacional. São Paulo: Companhia das letras, 1997.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

BURKE, Peter. Hibridismo cultural. São Leopoldo: Unisinos, 2010.

CARVALHO, Mário Vieira de Eça de Queirós e Offenbach. A gargalhada ácida de Mefistófeles. Lisboa: Edições Colibri, 1999.

CASTRO, Eduardo Viveiros de "Que temos nós com isso?" Prefácio a Antropofagia-palimpsesto selvagem, de Beatriz Azevedo, (s.d. [2016]). Disponível em https://www.academia.edu/19828893/_Que_temos_n%C3%B3s_com_isso_Pref%C3%A1cio_a_Antropofagia-palimpsesto_selvagem_de_Beatriz_Azevedo. Acesso em 27 de junho de 2020.

DE CERTEAU, Michel. A invenção do Cotidiano. Artes de Fazer. Vozes: Petrópolis, 1998.

MARIANO, Gabriel. Vida e morte de João Cabafume. Lisboa: Vega, 2001.

GILROY, Paul. O Atlântico Negro. Modernidade e dupla consciência. Rio de Janeiro, São Paulo: Universidade Cândido Mendes, Editora 34, 2001.

MARTINS, João Augusto. Madeira, Cabo Verde e Guiné. Lisboa: Livraria A.M. Pereira, 1891.

MORETTO, Luiz. Ritmos da Diáspora: o Violino como Tradição em Cabo Verde. Em Anais do XXVII Simpósio Nacional de História. Natal, RN, 2013. Disponível em http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1371349272_ARQUIVO_RitmosdaDiasporaluizrev1.pdf Acesso em: 10 set. 2020.

Morna de Cabo Verde e Bumba-meu-boi do Brasil são Patrimônio Imaterial da Humanidade da Unesco (2019 dezembro 12). ONU News. Disponível em https://news.un.org/pt/story/2019/12/1697661. Acesso em: 27 abr. 2020.

NOGUEIRA, Gláucia. Cabo Verde & a Música. Dicionário de Personagens. Lisboa: Campo da Comunicação, 2016.

NOGUEIRA, Gláucia. Músicas e danças europeias do século XIX em Cabo Verde: percurso de uma apropriação. Orientadores: Carlos Sandroni; António Sousa Ribeiro. Tese de doutorado em Patrimônios de Influência Portuguesa, Universidade de Coimbra/Centro de Estudos Sociais/Instituto de Investigação Interdisciplinar, Coimbra, 2020.

RICUPERO, Bernardo. O “original” e a “cópia” na Antropofagia. Sociologia & Antropologia, v. 8, n. 3, 875-912, setembro-dezembro de 2018. Disponível em https://doi.org/10.1590/2238-38752018v836 Acesso em: 05 mai. 2020.

SAHLINS, Marshall. O “pessimismo sentimental” e a experiência etnográfica: por que a cultura não é um “objeto” em via de extinção (Parte I). Mana, v. 3, n. 1, 41-73, 1997. Disponível em https://doi.org/10.1590/s0104-93131997000100002. Acesso em: 10 jun. 2020.

SANDRONI, Carlos. Feitiço Decente. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor/Editora UFRJ, 2001.

SANTOS, Maria do Carmo F. Daun e Lorena. Classe, memória e identidade em Cabo Verde: uma etnografia do carnaval de São Vicente. Orientador: João Vasconcelos. Tese de doutorado em Antropologia. Universidade de Lisboa/Instituto de Ciências Sociais, Lisboa, 2018. Disponível em https://repositorio.ul.pt/handle/10451/34055. Acesso em: 07 jul. 2020.

SEMEDO, José Maria; TURANO, Maria R. Cabo Verde: o ritual das festas das bandeiras da ilha do Fogo. Praia: Instituto de Investigação e do Património Cultural, 2007.

SOUSA, Henrique Teixeira de. Capitão de mar-e-terra. Lisboa: Publicações Europa América, 1984.

SOUSA, Henrique Teixeira de. Ilhéu de Contenda. Lisboa: Publicações Europa-América. s.d.

Jornais e revistas

ALVES, Miguel. Cantares do povo da ilha do Fogo. Voz di Povo, Praia, n. 620, p.9, 20 fev. 1987.

ANDRADE, José Navarro de. Aqui jazz 81. O Ponto, Lisboa, p. 20, 28 jan. 1982.

ARTEAGA, António. Amores de uma Crioula. Revista de Cabo Verde, Praia, p. 2-3, n. 13 set. 1899.

ARTEAGA, António. Amores de uma Crioula. A Voz de Cabo Verde, Praia, 12 abr. 1911, p. 7.

DUARTE, António. Travadinha: só a morte não foi improvisada. O Jornal, Lisboa, p. 14, ago. 1987.

PARREIRA, Carlos. Variações sobre a «morna» (a noite de um idealista em Cabo Verde). O Mundo Português - Revista de Cultura e Propaganda, Arte e Literatura Coloniais. Lisboa, v. 7, n. 4, p. 139-142, abr. 1934.

ROELE. Carta a um exótico. A Voz de Cabo Verde, Praia, 21 abr. 1913.

São Vicente, O Arquipélago, Praia, 21 nov. 1963, p. 2.

SOUSA, Henrique Teixeira de. São João na ilha do Fogo. Artiletra, Praia, maio 1998, p. XVI.

TEIXEIRA, Luís. Morna de Cabo Verde. Cabo Verde. Boletim de Propaganda e Informação, Praia, n. 54, p.13-14, mar. 1954.

VALO, Martine. Avec les descendents d’Armand de Montrond - Le seducteur français du Cap-Vert. Le Monde 2, Paris, n. 32-37, fev. 2005.

Discografia

KZIK, Nho. Recordação. Sons d’África, 2000. CD.

PCHEI, Mané (2004). Conjunto Mané Pchei – Cabo Verde, Ilha de São Nicolau. Popular African Music, 2004. CD.

TRAVADINHA. Ao vivo no Hot Club. Dargil, 1999. CD.

TRAVADINHA. Feiticeira de Cor Morena. Associação de Amizade Portugal Cabo Verde/Associação Cabo Verde, 1986. LP.

VVAA. Cabo Verde ilhas do Barlavento - Music from São Nicolau. Popular African Music, 2000. CD.

Downloads

Publicado

2020-12-21

Como Citar

NOGUEIRA, G. Os violinistas de Cabo Verde e seu papel na conversão de músicas europeias do século XIX em tradição local . Música Popular em Revista, Campinas, SP, v. 7, n. 00, p. e020008, 2020. DOI: 10.20396/muspop.v7i00.14675. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/muspop/article/view/14675. Acesso em: 4 mar. 2021.

Edição

Seção

Artigos temáticos