Nacionalismo, engajamento e música instrumental

a sonoridade do Quarteto Novo

Autores

  • Ismael de Oliveira Gerolamo Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/muspop.v7i00.14308

Palavras-chave:

música instrumental brasileira, arte engajada, baião, samba-jazz, Quarteto Novo

Resumo

Partindo de apreciações musicais do disco Quarteto Novo, especificamente do fonograma “Algodão”, e de discussões sobre o engajamento artístico e o nacional-popular nos anos de 1960, o presente trabalho pretende contextualizar a produção do grupo musical homônimo e verificar o modo pelo qual uma conjuntura mais ampla se revela mesmo na música instrumental. O projeto nacionalista assumido pelo Quarteto Novo de produzir uma nova sonoridade e uma nova linguagem de improviso musical estaria intimamente relacionado a um ideário que impulsionava produções artísticas com forte viés político articulado a elementos da cultura popular. O quarteto surge desse contexto, produz em consonância com certo ideário, mas seu trabalho não pode ser reduzido a classificações esquemáticas. O grupo tanto rompeu com um tipo de sonoridade predominante na música instrumental do período, quanto abriu novos horizontes para essa vertente. Mais que aplicar fórmulas prontas ou obedecer cegamente a diretrizes estéticas, essa produção acabou por se apropriar de diferentes musicalidades (locais, regionais, mas também cosmopolitas) para produzir uma síntese sonora cujo legado parece fundamental para a música instrumental do Brasil.

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Biografia do Autor

Ismael de Oliveira Gerolamo, Universidade de São Paulo

Doutor em Música pela Universidade Estadual de Campinas. Graduando em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

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Publicado

2020-12-23

Como Citar

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Edição

Seção

Artigos temáticos