Chico Mário e o disco independente

resistência cultural e música instrumental brasileira nos anos 1980

Autores

  • Icaro Bittencourt Universidade Federal do Paraná / Instituto Federal Catarinense

DOI:

https://doi.org/10.20396/muspop.v7i..13812

Palavras-chave:

disco independente, Francisco Mário, resistência cultural, música instrumental brasileira

Resumo

Em 1986, o músico Chico Mário publicou um livro intitulado Como fazer um disco independente, no qual apresentou um panorama do mercado fonográfico brasileiro, os sentidos políticos atribuídos à produção musical independente e ainda incluiu uma série de recomendações práticas ao músico que pretendesse gravar e divulgar sua obra por conta própria. Naquele mesmo ano, o músico também lançou seu quinto álbum solo, Retratos, no qual, a partir de doze composições instrumentais, presta uma homenagem a diversos artistas que influenciaram sua estética musical. Assim, sua abordagem crítica da produção musical brasileira apresentada no livro citado ganhou um reforço estético ao apresentar um disco que se vincula artisticamente a uma determinada representação da música nacional. Com foco nestas duas obras, uma crítica e outra estética, este artigo apresenta uma análise dos principais fundamentos e características da proposta musical e política de Chico Mário, relacionando o texto crítico do artista e sua criação musical com alguns aspectos pertinentes aos temas da produção musical independente, da resistência cultural e da música popular brasileira, especialmente instrumental, no contexto dos anos 1980.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Icaro Bittencourt, Universidade Federal do Paraná / Instituto Federal Catarinense

Doutorado em andamento em História pela Universidade Federal do Paraná. Professor de História do Instituto Federal Catarinense - Campus São Francisco do Sul.

Referências

ALBIN, Ricardo Cravo. Driblando a censura: de como o cutelo vil incidiu na cultura. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002.

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do nordeste e outras artes. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

ALMEIDA, Marina Barbosa de. As mulatas de Di Cavalcanti: representação racial e de gênero na construção da identidade brasileira (1920 e 1930). 2007. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2007.

ARQUIVO NACIONAL. Coordenação Regional do Arquivo Nacional no Distrito

Federal. Fundo: “CIE/SNI”. Parecer intitulado “Disco alternativo”, 02/01/1981.

ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DE DISCOS E FITAS INDEPENDENTES DO RIO DE JANEIRO (APID). Troféu Chiquinha Gonzaga (LP), 1984.

BARCINSKI, André. Pavões misteriosos - 1974 - 1983: a explosão da música pop no Brasil. São Paulo: Três Estrelas, 2015, p. 162-167.

BASTOS, Marina Beraldo; PIEDADE, Acácio. O desenvolvimento histórico da “música instrumental”, o jazz brasileiro. In: Anais do XVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM), Brasília, 2006, p. 931-936.

BOURDIEU, Pierre. O mercado de bens simbólicos. In: BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. 6. Ed. São Paulo: Perspectiva, 2007, p. 99-181. Tradução de Sergio Miceli.

BÜRGER, Peter. Teoria da Vanguarda. São Paulo: Ubu Editora, 2017. Tradução de José Pedro Antunes.

CAROCHA, Maika Lois. Pelos versos das canções: um estudo sobre o funcionamento da censura musical durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). 2007. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.

CESARINO, Maria. Lelo Nazário: a música é um instrumento que não leva à ação. Em Tempo, Ano III, N. 117, out. 1980, p. 14-15.

COHN, Gabriel. A concepção oficial da política cultural nos anos 70. In: MICELI, Sergio (org.). Estado e Cultura no Brasil. Rio de Janeiro: Difel, 1984, p. 85-96.

DE MARCHI, Leonardo. O Significado Político da Produção Fonográfica Independente Brasileira. E-compós. Revista da Associação Nacional de Pós-Graduação em Comunicações, 2006a.

DE MARCHI, Leonardo. Do marginal ao empreendedor. Transformações no conceito de produção fonográfica independente no Brasil. ECO-Pós, v. 9, p. 121-140, 2006b.

DIAS, Marcia Tosta. Os donos da voz: indústria fonográfica brasileira e mundialização da cultura. São Paulo: Boitempo, 2000.

DINIZ, Sheyla Castro. "...De tudo que a gente sonhou": amigos e canções do Clube da Esquina. São Paulo: Intermeios/Fapesp, 2017.

FENERICK, José. A ditadura, a indústria fonográfica e os “Independentes” de São Paulo nos anos 70/80. MÉTIS: História & Cultura, v. 3, n. 6, jul./dez. 2004, p. 155-178.

FERNANDES, Dmitri Cerboncini. Sentinelas da Tradição: A Constituição da Autenticidade no Samba e no Choro. São Paulo: Edusp, 2018.

GALLETTA, Thiago Pires. Para além das grandes gravadoras: percursos históricos, imaginários e práticas do “independente” no Brasil. Música Popular em Revista, Campinas, ano 3, v. 1, p. 54-79, jul.-dez. 2014.

GHEZZI, Daniela Ribas. De um Porão Para o Mundo: A Vanguarda Paulista e a Produção Independente de LP’s através do selo Lira Paulistana nos anos 80 - um estudo dos Campos Fonográfico e Musical. 2003. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.

HEREDIA, Cecília Riquino. A caneta e a tesoura: dinâmicas e vicissitudes da censura musical no regime militar. 2015. Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

KUSHNIR, Beatriz. Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988. São Paulo: Boitempo/Fapesp, 2012.

LUNARDI, Rafaela. Preparando a tinta, enfeitando a praça. O papel da MPB na “Abertura política” brasileira (1977-1984). 2016. Tese (Doutorado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

MÁRIO, Chico. Como fazer um disco independente. Petrópolis (RJ): Vozes, 1986.

MÁRIO, Francisco. Retratos. Libertas (Independente), 1986. LP.

MÁRIO, Francisco. “Retratos” - O autor explica: Boi Gordo e o Magro. Pasquim, n. 892, Rio de Janeiro, 23 a 29 out. 1986, p. 18.

MÁRIO, Francisco. A AIDS musical que assola o país. Pasquim, n. 846, Rio de Janeiro, 26 set. a 09 de out. 1985, p. 13.

MICELI, Sergio. Teoria e prática da política cultural oficial no Brasil. Revista de Administração de Empresas, Rio de Janeiro, v. 24, n. 1, jan./mar. 1984, p. 27-31.

MILLARCH, Aramis. Melhores de 1986 segundo Raffaelli. Estado do Paraná, Curitiba,07 jan. 1987, Almanaque, p. 13.

MILLARCH, Aramis. Chico diz como se faz um elepê independente. Estado do Paraná, Curitiba, 13 dez. 1986a, Almanaque, p. 4.

MILLARCH, Aramis. Retratos musicais de Francisco Mario. Estado do Paraná, Curitiba, 13 dez. 1986b, Suplemento, p. 4.

MORELLI, Rita. Arrogantes, anônimos, subversivos: interpretando o acordo e a discórdia na tradição autoral brasileira. Campinas (SP): Mercado de Letras, 2000.

MPB Independente. Pasquim, N. Especial, dez. 1982 (LP e revista encartada).

MULLER, Daniel Gustavo Mingotti. Música instrumental e indústria fonográfica no Brasil: a experiência do selo Som da Gente. 2005. Dissertação (Mestrado em Música) – Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.

NAPOLITANO, Marcos. Coração Civil: a vida cultural brasileira sob o regime militar (1964-1985) - ensaio histórico. São Paulo: Intermeios - Casa de Artes e Livros, 2017.

NAVES, Santuza Cambraia. Música e imaginário nacional. In: Idem. A canção brasileira: leituras do Brasil através da música. Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 76-91.

NOBILE, Lucas. Raphael Rabello: o violão em erupção. São Paulo: Editora 34, 2018.

PIEDADE, Acácio. Jazz, música brasileira e fricção de musicalidades. Anais da ANPPOM - Décimo Quinto Congresso, 2005.

RIDENTI, Marcelo. Brasilidade revolucionária como estrutura de sentimento: os anos rebeldes e sua herança. In: RIDENTI, Marcelo. Brasilidade revolucionária: um século de cultura e política. São Paulo: Unesp, 2010, p. 85 - 119.

SOARES, Dirceu. Tudo igual aos discos das fábricas. Folha de São Paulo, 10 maio 1980, p. 23.

SOUZA, Marcos (org.). Francisco Mário - Vida e Obra. Rio de Janeiro: Ateliê Cultural/SESC Rio de Janeiro, 2005.

SOUZA, Nivia. Atrás do biombo: conversando com Chico Mário. Belo Horizonte: Atelier Cultural/Instituto Cultural Chico Mário, 2018.

STROUD, Sean. O Estado Como Mediador Cultural: O Projeto Pixinguinha. In: EGG, André; FREITAS, Artur; KAMINSKI, Rosane (orgs.). Arte e política no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2014, p. 211-239. Tradução de André Acastro Egg.

TINHORÃO, José Ramos. Os melhores de 1980, afinal, ainda são os mais brasileiros. Jornal do Brasil, 31 dez. 1980a, Caderno B, p. 1.

TINHORÃO, José Ramos. A onda dos independentes: um David musical contra o Golias das multinacionais. Jornal do Brasil, 30 ago. 1980b, Caderno B, p. 7.

VASCONCELOS, Ana Teresa A.; SANTOS, Juliana Amaral dos. Os Cartazes da Sala Funarte: Uma visão da política pública de cultura de 1978 a 2005. Escritos. Revista da Fundação Casa de Rui Barbosa, Ano 4, n. 4, 2010, p. 199-220.

VAZ, Gil Nuno. História da música independente. São Paulo: Brasiliense, 1988.

VICENTE, Eduardo. A Música Independente no Brasil: Uma Reflexão. Intercom - XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, UERJ, 2005.

Downloads

Publicado

2020-12-18

Como Citar

BITTENCOURT, I. Chico Mário e o disco independente: resistência cultural e música instrumental brasileira nos anos 1980. Música Popular em Revista, Campinas, SP, v. 7, n. 00, p. e020005, 2020. DOI: 10.20396/muspop.v7i.13812. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/muspop/article/view/13812. Acesso em: 4 mar. 2021.

Edição

Seção

Artigos temáticos