Os baldios à luz do telescópio
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Palavras-chave

Mariana Sissia
Alegorias
Imagens urbanas

Como Citar

MEDEIROS, G. M. Os baldios à luz do telescópio: alegorias de mariana sissia. Encontro de História da Arte, Campinas, SP, n. 13, p. 412–419, 2018. DOI: 10.20396/eha.13.2018.4407. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/eha/article/view/4407. Acesso em: 25 fev. 2024.

Resumo

Quando Yvonne Weskott comentou, panoramicamente, a obra de Mariana Sissia, a crítica parece ter chegado ao seu coração alegórico. Uma poética baseada nas “ruínas ao reverso” seria a primeira tendência pictórica das estranhas gravuras a grafite do trabalho Sistema de defensa de mí misma (2009-11). Figuram nesta série canteiros de obras devolutos, em que tobogãs sem sentido descambam em fossas pelo chão; skateparks cujos hemisférios calcados na terra lembram esvaziadas e longínquas crateras lunares; fendas, frinchas, rachaduras, fronteiras ao redor das quais o nada ladeia com o nada; andaimes bambos e êxuis; piscinas de plástico recém-instaladas sobre ícones de pedras e solos flutuantes, seccionados pela lateral, como uma hibridização absurda (de clave quase surrealística) entre um mapa da crosta terrestre e um manual industrial automático para a construção de parques de diversões fantasmagóricos; trepa-trepas e gangorras como vestígios arcaicos e fossilizados de um mundo evacuado há muito, ou após uma recente (e ao mesmo tempo antiga) hecatombe inexplicável. No entanto, em nenhuma das imagens se vê alguém, nunca, em qualquer lugar. A obsessão a que convergem todos esses sistemas estranhos parece ser a da escavação de fronteiras-trincheiras, a demarcação de um dentro e um fora, de um dispositivo de segurança para um espectro, de um bunker de vidro, a céu aberto, num cenário de decadência urbana.

https://doi.org/10.20396/eha.13.2018.4407
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Referências

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Copyright (c) 2018 Gabriel Morais Medeiros

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