Laboratório da liberdade
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Palavras-chave

MAM
Experimentação
Cursos de extensão

Como Citar

COSTA, A. L. V. Laboratório da liberdade: estética e política nos "domingos da criação" do MAM/RJ. Encontro de História da Arte, Campinas, SP, n. 13, p. 191–199, 2018. DOI: 10.20396/eha.13.2018.4339. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/eha/article/view/4339. Acesso em: 26 fev. 2024.

Resumo

Formulados enquanto extensões das atividades do setor de cursos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de sua Unidade experimental, os "Domingos da criação" consistiram em propostas artísticas, encontros abertos, no espaço público nos entornos do MAM/RJ, que partiam da experimentação com materiais como: o papel, o tecido, o fio, a terra, o som e o corpo. O crítico de arte, e então coordenador do setor de cursos do museu, Frederico Morais, esteve à frente da concepção e articulação destas ações, que se desdobraram em seis edições, sempre aos domingos, entre os meses de janeiro e julho de 1971. Frente ao panorama da arte brasileira e, particularmente, no contexto carioca, estas propostas articulam-se à inflexão experimental neoconcreta, da segunda metade dos anos 1960, bem como à emergência das investigações de teor conceitual de uma "arte de guerrilha". Contribuem, neste sentido, para lançar um olhar sobre os novos posicionamentos assumidos pela crítica e pelos museus, diante de trabalhos experimentais, de caráter ambiental, sensorial e vivencial, e da arte conceitual, em um sentido expandido. Partindo de propostas conceituais que exploravam as possibilidades poéticas dos materiais, estes seis encontros compõem um caleidoscópio de gestos e procedimentos diversos. Parcela expressiva de suas manifestações foram imprevistas, nelas, os trabalhos de artistas confundiam-se com aqueles criados pelo público, revelando formas de uma produção anônima, horizontal e coletiva. Em nossa investigação sobre os "Domingos da criação", pretendemos refletir sobre os significados estéticos e políticos da inclusão destes públicos, não mais na condição de espectadores, mas enquanto sujeitos individuais e coletivos do processo de invenção, em um espaço museológico expandido. Passados mais de 40 anos, julgamos pertinente elaborar uma reflexão sobre algumas das "estruturas simbólicas/ práticas" mobilizadas nesses encontros. Para tanto, tomamos como referência, e ponto de partida teórico, a instigante formulação de Nicolas Bourriaud naobra Estética Relacional:"Se a exposição se torna um palco, quem vem encenar? Como os atores e figurantes o ocupam? Em meio a que tipo de cenário? Um dia seria interessante escrever a história da arte por meio das populações que a atravessam e das estruturas simbólicas/práticas que permitem acolhê-las. Qual energia humana, regulada segundo quais modalidades, entra nas formas artísticas?".

https://doi.org/10.20396/eha.13.2018.4339
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Referências

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