Corpas-enqueerzilhadas e alianças insólitas no cinema brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/visuais.v7i2.15945

Palavras-chave:

Queer, Encruzilhada, Cinema brasileiro

Resumo

Esse artigo propõe uma chave de leitura queer para uma produção de curtas-metragens brasileiros recente em que reconhecemos uma reconfiguração dos espaços para o acolhimentos das corpas LGBTQIA+, um trabalho de reimaginação das relações e do mundo, que nos leva ao complexo conceito da enqueerzilhada, um espaço sobredeterminado que reimagina processos de exclusão/inclusão ao mesmo tempo em que torna visíveis formas de vida em trânsito. Apontamos, ainda, que essas construções também implicam uma rearticulação da voz e do corpo no que Maria Galindo chama de alianças insólitas. Concluimos com uma possibilidade de entender essa produção recente como pensamento sobre o mundo que produz uma fértil pedagogia queer

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Biografia do Autor

Ramayana Lira de Sousa, Universidade do Sul de Santa Catarina

Doutorado em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem e do curso de graduação em Cinema e Realização Audiovisual da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Alessandra Soares Brandão, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorado em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Inglês (PPGI) e do Curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina. 

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Publicado

2021-12-16

Como Citar

SOUSA, R. L. de; BRANDÃO, A. S. Corpas-enqueerzilhadas e alianças insólitas no cinema brasileiro. Revista Visuais, Campinas, SP, v. 7, n. 2, p. 51–71, 2021. DOI: 10.20396/visuais.v7i2.15945. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/visuais/article/view/15945. Acesso em: 25 set. 2022.