As competências soft nas políticas internacionais para a Educação Profissional e Tecnológica pós-pandemia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rbec.v3i00.14748

Palavras-chave:

Internacionalização da educação, Cultura técnica, Educação profissional e tecnológica, Soft skills

Resumo

A proposta deste artigo é estudar e colocar em debate, a partir de pesquisa bibliográfica e documental, se a noção de competências baseada em soft skills ainda seria capaz de enfrentar os desafios colocados após a crise de 2008 e, mais ainda atualmente, com a Covid-19, em um contexto de internacionalização da educação regida por diretrizes forjadas em agências multilaterais para uma formação que preconiza conhecimentos técnicos e tecnológicos sólidos, como a Educação Profissional e Tecnológica. O que se percebe é um crescente efeito colateral da aplicação dessa noção, uma fragilidade na formação por conhecimentos fortemente ancorados em conteúdos assentados nas ciências exatas como a matemática, a física, a química, a lógica, entre outras, e, menos ainda, em conteúdos de ciências humanas, como história, filosofia, sociologia, tão importantes quanto àqueles para a formação de uma cultura técnica, não tecnicista, como conceituada pelo filósofo francês Gilbert Simondon.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Emerson Freire, Universidade Estadual de Campinas

Doutor em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas e em Filosofia pela Université de Paris 1 - Panthéon Sorbonne - França. Professor e pesquisador no Mestrado em Educação Profissional do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS) e na Fatec Jundiaí, onde coordena o Núcleo de Estudos de Tecnologia e Sociedade (NETS). Pesquisador do Grupo CTeMe (Conhecimento, Tecnologia e Mercado), grupo vinculado à Universidade Estadual de Campinas.

Darlan Mercelo Delgado, Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza

Pós-Doutorado em Educação pela  Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Professor de Nível Superior III, em Regime de Dedicação Exclusiva, no Centro Estadual de Educação Tecnológica Centro Paula Souza (CEETEPS), e na Faculdade de Tecnologia de Mococa - SP (FATEC Mococa). 

Sueli Soares dos Santos Batista, Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza

Pós-doutorada pela Universidade Estadual de Campinas. Doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo.  Professora e pesquisadora do Mestrado Profissional do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS). 

Referências

Akkari, A. (2011). Internacionalização das políticas educacionais. Rio de Janeiro: Vozes.

Apple, M. (2004). Entre o neoliberalismo e o neoconservadorismo: educação e conservadorismo em um contexto global. In: BURBULES, Nicholas C.; TORRES, C. A. Globalização e educação: perspectivas críticas. Trad. Ronaldo Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed.

Bahl, A. & Dietzen, A. (Eds.). (2019). Work-based learning as a pathway to competence-based education: a UNEVOC network contribution. UNEVOC: Bonn.

Batista, S., Freire, E. & Delgado, D. (2020). Cursos superiores de tecnologia no contexto da internacionalização e da expansão da educação profissional e tecnológica no Estado de São Paulo. Série-Estudos, Campo Grande, MS, 25(54), 191-219. http://dx.doi.org/10.20435/serie-estudos.v25i54.1381

Bauman, Z. (1999). Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro-RJ: Zahar.

Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro-RJ: Zahar.

Brasil. (2017) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 13.415/2017, de 13 de fevereiro de 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/L13415.htm. Acesso 01 mar 2020.

Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. (2020). CPS avalia competências técnicas e socioemocionais de estudantes. Disponível em: https://www.cps.sp.gov.br/cps-avalia-competencias-tecnicas-e-socioemocionais-de-estudantes/. Acesso 18 jul 2020.

Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. (2019) Rol de competências socioemocionais. Disponível em: http://cpscetec.com.br/cpscetec/arquivos/2019/socioemocionais.pdf. Acesso 18 jul 2020.

Coda, R. (2016). Competências comportamentais: como mapear e desenvolver competências pessoais no trabalho. São Paulo: Atlas.

Dardot, P. & Laval, C. (2016). A Nova Razão do Mundo - Ensaio sobre a Sociedade Neoliberal. São Paulo: Editora Boitempo, 402 p.

Delgado, D. (2015). Inovação em educação na berlinda: da instrumentalização à emancipação. Linhas Críticas, Brasília, DF, 46, 764-783, set./dez. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=193543849011. Acesso 12 fev 2021.

Delgado, D. & Gomes, L. R. (2015). Inovação em política e gestão da educação profissional e tecnológica: uma abordagem pela teoria crítica. São Paulo: Centro Paula Souza, 2015.

Delors, J. & Nanzaho, Z. (1996). Educação um tesouro a descobrir. Editora Cortez.

Doti, M. & Freire, E. (2020). A urgência da filosofia em cursos superiores de tecnologia: para além da pragmática da eficiência e da normatividade. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea. 8(2), 405-418. http://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.27343.

Dutra, J. (2017). Competências: conceitos, instrumentos e experiências. 2 ed. São Paulo: Atlas.

Fatec Sorocaba. (2020). Testes Tessera e Workkeys para prováveis formandos.Disponível em: http://www.fatecsorocaba.edu.br/noticia583.asp.

Freire, E. (2018). “Faltam-nos poetas técnicos”: em direção a uma formação tecnoestética. In:

Freire, E.; Verona, J. A.; Batista, S.S.S. Educação Profissional e Tecnológica: extensão e cultura. Jundiaí: Paco Editorial.

Harvey, D. (2013). Condição pós-moderna. 24 ed. São Paulo: Loyola, 2013.

Hirata, H. (1998). Da polarização das qualificações ao modelo da competência. In: FERRETTI, C. J. et al. (Orgs.). Tecnologias, trabalho e educação: um debate multidisciplinar. 4 ed. Petrópolis-RJ: Vozes,

Huber, G. (1991) Organizational Learning: the contributing process and the literatures. Organization Studies 17 (1): 49-81.

Kon, A. (2016) A economia do trabalho: qualificação e segmentação no Brasil. Rio de Janeiro: Alta Books.

Ministério da Educação. (2019) BNCC. Base Nacional Curricular Comum - BNCC (2019). Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/historico/BNCC_EnsinoMedio_embaixa_site_110518.pdf.

Nascimento S.R. (2020) Empresa júnior no ensino técnico médio integrado: laboratório de aprendizagem para o desenvolvimento socioemocional, 161 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Gestão e Desenvolvimento da Educação Profissional). Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, São Paulo.

Nonaka, I. (1997). A empresa criadora de conhecimento. In: STARKEY, K. Como as organizações aprendem: relatos do sucesso das grandes empresas. São Paulo: Futura, 1997.

Sacristán, J., Gómez, A., Rodríguez, J., Santomé, J., Rasco, F., Méndez, J. ,..Pimenta, S. (2011). Educar por competências: o que há de novo? Porto Alegre: Artmed.

Shrivastava, P. (1983). A typology of organizational learning systems. Journal of Management Studies, 20 (1), 7-28.

Silva, M. (2008). Currículo e competências: a formação administrada. São Paulo: Cortez.

Simondon, G. (1969). Du mode d'existence des objets techniques. Paris: Aubier - Montaigne.

Simondon, G. (1989) L'individuation psychique et collective: à la lumière des notions de forme, information, potentiel et métastabilité. Paris: Aubier.

United Nations Educational, Scientific, and Cultural Organizarion. (1999) Establishment of an international long-term programe for the development of technical and vocational education following the second international congress on technical and vocational education (Seoul, Republic of Korea, april 1999). Paris, 1999. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000117403.

United Nations Educational, Scientific, and Cultural Organization. (1996). Educação, um tesouro a Descobrir: Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. UNESCO/Edições ASA.

United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization – International Centre for Technical and Vocational Education and Training. (2020). Virtual conference on skills for a resilient youth: virtual conference report. Bonn,. Disponível em: https://unevoc.unesco.org/home/UNEVOC+Publications/lang=en/akt=detail/qs=6386

Vargas, F. (2014). Nuevas competencias para el profesional del siglo XXI. Jornada Catarinense da Indústria. Jornada Catarinense da Indústria. Disponível em: http://santacatarinapelaeducacao.com.br/fmanager/senaimov/apresentacoes/arquivo39_1.pdf

Zarifian P. (2012). Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2012.

Zarifian P. (2003) O modelo da competência: trajetória histórica, desafios atuais e propostas. São Paulo: Editora Senac São Paulo.

Downloads

Publicado

2021-06-29

Como Citar

FREIRE, E.; DELGADO, D. M.; BATISTA, S. S. dos S. As competências soft nas políticas internacionais para a Educação Profissional e Tecnológica pós-pandemia. RBEC: Revista Brasileira de Educação Comparada, Campinas, SP, v. 3, n. 00, p. e021008, 2021. DOI: 10.20396/rbec.v3i00.14748. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/rbec/article/view/14748. Acesso em: 25 set. 2022.

Edição

Seção

Dossiê

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)