A última coisa humana?
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Palavras-chave

Animalidade
Humanindade
Música
Indeterminação

Como Citar

MARIN, Andreia; CASTRO, Marcos Câmara de. A última coisa humana? a música na fronteira entre humanidade e animalidade . Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, SP, v. 10, n. 2, p. 80–104, 2022. DOI: 10.20396/proa.v10i2.16634. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/proa/article/view/16634. Acesso em: 25 jun. 2024.

Resumo

O presente texto é tecido nas inquietações sobre o limiar entre humanidade e animalidade. Depois das discussões sobre a linguagem, a modulação das emoções, a consciência da morte e a própria razão, identifica-se um resto que continua a ser defendido por alguns como característica exclusivamente humana: a música. As reflexões aqui apresentadas: têm origem na dissociação entre reprodução/imitação e produção musical, a partir de uma assertiva de D’Arezzo; ganham reforço nas provocações de Chabanon sobre o caráter não-imitativo da música e suas condições nos animais, selvagens e crianças; encaminham-se para as ideias de Derrida, de onde são destacadas as distinções entre bestialidade e soberania e a crítica ao singular genérico animal, e de Merleau-Ponty, com os conceitos de mundo percebido e Unwelt.

https://doi.org/10.20396/proa.v10i2.16634
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