Shahr-e No de Kavesh Golestan
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Palavras-chave

Prostituição
Religião
Gênero
Fotografia

Como Citar

RICCI MOLINA, Ana Maria; BARBOSA, Francirosy Campos. Shahr-e No de Kavesh Golestan: uma leitura possível das dimensões política e religiosa de fotosde mulheres prostituras (Teerã, Irã, 1975-1977). Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, SP, v. 10, n. 2, p. 12–37, 2022. DOI: 10.20396/proa.v10i2.16601. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/proa/article/view/16601. Acesso em: 25 jun. 2024.

Resumo

Esse artigo discute o álbum Shahr-e No, de Kaveh Golestan, como testemunho das condições de vida empobrecida de mulheres na prostituição. Compreendemos suas fotos como um discurso político e de crítica à Dinastia Pahlavi. Todavia, tratamos do uso de véu em algumas poses como uma representação do hijab. A prostituição se configurou como um ambiente anti-islâmico e a mulher prostituta em posição antagônica ao promovido pela tradição e a ética sexual no Islã. Assim, através da análise das imagens segundo um recorte religioso, entendemos que a crítica política de Kaveh Golestan sobre o Governo se estende também para a sociedade iraniana e comunidades muçulmanas, a fim de visibilidade e pertencimento das retratadas.

https://doi.org/10.20396/proa.v10i2.16601
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