Das origens do gênero elegíaco até a ruptura de Ovídio nas Heroides

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Palavras-chave:

Elegia, Ovídio, Heroides

Resumo

Este artigo busca realizar um percurso crítico a respeito do gênero elegíaco desde suas origens até as Heroides de Ovídio. Ainda na Antiguidade, a elegia era um gênero ligado à canção de lamento, sobretudo fúnebre. No entanto, ao analisarmos as elegias dos gregos arcaicos e dos helenísticos, não encontramos composições estritamente de lamento, o que será visto na poesia dos latinos a partir de Catulo e Galo. Com este poeta se inaugura a elegia erótica, na qual encontramos o lamento amoroso. Tibulo e Propércio levam o gênero a suas últimas consequências, tanto que nas últimas composições o amor já não é mais tema central, e Ovídio, diante disso, só pode romper com a tradição, o que de fato faz desde o início de sua carreira poética. Neste sentido, as Heroides são uma amostra da originalidade do poeta de Sulmona, além de ser a sua obra que mais fortuna teve após as Metamorfoses na história da literatura.

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Biografia do Autor

Pedro Falleiros Heise, Universidade Federal de São Paulo

Professor Adjunto de Língua e Literatura Latina da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

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Publicado

2020-09-21

Como Citar

Heise, P. F. (2020). Das origens do gênero elegíaco até a ruptura de Ovídio nas Heroides. Phaos: Revista De Estudos Clássicos, 20, e020001. Recuperado de https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/phaos/article/view/11551