Habitar o moderno
Na imagem, há seis caixas de papelão com desenhos no fundo, dispostas em duas fileiras. Na fileira superior, a primeira caixa apresenta o desenho de uma árvore sem folhas, a segunda caixa apresenta uma tartaruga e a terceira caixa apresenta uma cadeira de rodinhas estofada. Na fileira inferior, a primeira caixa apresenta uma penteadeira com espelho de cabeça para baixo e as duas últimas caixas juntas formam o desenho de uma mesa de ponta cabeça. No canto superior direito, há o nome da revista e abaixo dele, a indicação de "10 anos". Na parte inferior, estão as informações sobre o volume e número da revista, bem como o ISSN.
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Palavras-chave

Encomendante
Habitus
Habitação
Estilos de vida
Arquitetura moderna

Como Citar

ROSATTI, Camila Gui. Habitar o moderno: habitus e estilo de vida conformando os modos de morar. Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, SP, v. 9, n. 2, p. 18–46, 2019. DOI: 10.20396/proa.v9i2.17350. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/proa/article/view/17350. Acesso em: 18 jul. 2024.

Resumo

Neste artigo proponho pensar a relação de homens com os espaços em que vivem tratando de uma forma de moradia bem específica, a casa moderna. Valendo-me das contribuições de Norbert Elias e Pierre Bourdieu, busco articular os estilos de vida aos modos de morar interpelando a habitação a partir da noção de habitus, entendida como uma maneira de ser e também de habitar marcadas por disposições herdadas e adquiridas. A abordagem se vale da ferramenta da reconstituição biográfica, o que dá centralidade ao cliente, contrastando, assim, com que é feito na historiografia canônica da arquitetura. O local de ancoragem desse exercício de análise é a residência encomendada pelo médico polonês Febus Gikovate ao arquiteto e professor universitário Vilanova Artigas, no final dos anos 1940, em São Paulo.

https://doi.org/10.20396/proa.v9i2.17350
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