A configuração de um ícone de nacionalidade
PDF

Palavras-chave

Baianas
Brasil
Festas
Carnaval
Representações

Como Citar

NUNES NETO, Francisco Antonio. A configuração de um ícone de nacionalidade: as tias baianas no Rio de Janeiro. Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, SP, v. 9, n. 1, p. 44–73, 2019. DOI: 10.20396/proa.v9i1.17278. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/proa/article/view/17278. Acesso em: 18 jul. 2024.

Resumo

O texto analisa como as Baianas se converteram em um poderoso ícone de nacionalidade brasileira. Para tanto, acionamos como principais referências as pistas encontradas em algumas pesquisas e alguns estudos, assim como as observadas em outros tipos de representações tais como os textos jornalísticos e as letras de músicas do cancioneiro popular nacionais. Neste sentido, este artigo apresenta em que contexto, em que medida e em quais sentidos as Baianas – mulheres negras egressas de Salvador e cidades do Recôncavo do estado da Bahia – desembarcam no Rio de Janeiro em meados do século XIX, então capital nacional, aí emergindo no imaginário coletivo como porta-vozes de uma ancestralidade que representa uma perspectiva de nacionalidade que anuncia, enuncia, integra e identifica socioculturalmente uma parcela significativa da população deste país. Presença marcante e inconfundível em algumas festas como o carnaval do Rio de Janeiro ou naquelas lidas como públicas e populares da Bahia como a de Santa Bárbara, a do Senhor do Bonfim e a de Yemanjá, as Baianas vetorizam e congregam tradição e modernidade em distintas temporalidades.

https://doi.org/10.20396/proa.v9i1.17278
PDF

Referências

AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos: guia de ruas e mistérios. 40ª ed., São Paulo: Cia das Letras, 2012.

AMADO, Jorge. Tenda dos Milagres. 16ª ed., Rio de Janeiro: Record, 1976.

ARAÚJO, Hiram. Carnaval. Seis milênios de história. 2ª ed., Rio de Janeiro: Gryphus, 2003.

BITAR, Nina Pinheiro. Agora, que somos patrimônio. Um estudo antropológico sobre as baianas do acarajé. UFRJ: Rio de Janeiro, 2010. (Dissertação).

CAYMMI, Stela. O que é que a baiana tem? Dorival Caymmi na Era do Rádio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.

GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes. São Paulo: Cia ds Letras, 1998.

HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. 10a ed., Rio de Janeiro: DP & A, 2005.

HOBSBAWM, Eric J; RANGER, Terence. A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

JOAQUIM, Maria Salete. O papel da liderança feminina na construção da identidade negra. Rio de Janeiro: Palias, 2001.

MATOS, Maria Aparecida Donato de. Mãe baiana, corpo-linguagem: um estudo sobre o mito na cultura do samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro – Faculdade de Letras, 2007. (Tese).

MOURA, Milton. Carnaval e Baianidade. Arestas e Curvas na coreografia de identidades do carnaval de Salvador. Salvador: FACOM/UFBA, 2001. (Tese).

MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro. 2ª ed., Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura/Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural/Divisão de Editoração, 1995. (Coleção Biblioteca Carioca).

NUNES NETO, Francisco Antonio. A invenção de uma tradição: a Festa do Senhor do Bonfim em jornais baianos. Salvador: Universidade Federal da Bahia; Instituto de Humanidaes, Artes e Ciências Proferror Milton Santos; Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade. 2014 (Tese).

OLIVEIRA, Paulo Cesar Miguez de. A organização da cultura na “Cidade na Bahia”. Salvador: FACOM/UFBA, 2002. (Tese).

PACHECO, Ana Claúdia Lemos. “Branca para casar, Mulata para f..., Negra para trabalhar”: Escolhas afetivas e significados de solidão entre mulheres negras em Salvador, Bahia. São Paulo: Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2008. (Tese).

SANCHES, Maria Aparecida Prazeres. Fogões, Pratos e Panelas: poderes, práticas e relações de trabalho doméstico, Salvador 1900-1950. Salvador: FFCH/UFBA, 1998. (Dissertação).

SANTANNA, Marilda. As donas do canto. O sucesso das estrelas-intérpretes no Carnaval de Salvador. Salvador: EDUFBA, 2009.

TINHORÃO, José Ramos. História Social da Música Popular Brasileira. São Paulo: Ed. 34, 1998.

A Tarde, 9 de janeiro de 1951. Bahia, Salvador.

Diário de Notícias, 13 de janeiro de 1968. Bahia, Salvador.

Diários Associados, 13 de janeiro de 1968. Bahia, Salvador.

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2019 Francisco Antonio Nunes Neto

Downloads

Não há dados estatísticos.