Adivinhação e profecia na Grécia Antiga

Autores

  • Gustavo Henrique Montes Frade Universidade Federal de Juiz de Fora

Palavras-chave:

Adivinhação. Adivinhos. Auspícios. Profecia. Oráculo. Grécia Antiga.

Resumo

Este artigo, depois de uma breve contextualização da Grécia como integrante do que Burkert (1975) chama de “continuum cultural da Mesopotâmia ao Mediterrâneo”, parte de algumas tentativas de definição da adivinhação, para depois se dedicar às práticas gregas antigas da leitura de sinais interpretáveis (entre os quais predomina a observação de voo de pássaros, nos poemas homéricos, e a leitura do fígado de animais sacrificados, nos relatos do Período Clássico) e dos oráculos extáticos, inspirados pelos deuses (como o oracúlo de Delfos), considerando a adivinhação e a profecia como parte fundamental da experiência do divino em meio às incertezas inerentes ao limitado conhecimento de um mortal diante da constante necessidade de ação e decisão. Inclui algumas considerações sobre a prática profissional dos adivinhos (listado entre os δημιοεργοί, profissionais que prestam serviço à comunidade, na Odisseia, XVII, 382-5, e organizados em guildas no Período Clássico) e seus antecedentes míticos.

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Publicado

2019-04-29

Como Citar

Frade, G. H. M. (2019). Adivinhação e profecia na Grécia Antiga. Phaos: Revista De Estudos Clássicos, 18(2). Recuperado de https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/phaos/article/view/9835

Edição

Seção

Artigos