Superfluidade de gênero

binarismo e escrita etnográfica na Amazônia

Autores

  • Fabiana Maizza
  • Bru Pereira Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

DOI:

https://doi.org/10.20396/maloca.v5i00.15943

Palavras-chave:

gênero, Amazônia, binarismo, divisão sexual do trabalho, escrita etnográfica

Resumo

Esse artigo propõe uma revisão analítica sobre a forma como o gênero foi descrito na etnologia indígena se apoiando fortemente nos conceitos de divisão sexual do trabalho, da complementariedade dos sexos, da heterossexualidade e do casamento. Nossa intenção é evidenciar aquilo que vemos como os pressupostos analíticos nessas descrições: o feminismo social-marxista e a teoria da aliança. Em seguida, mobilizamos o conceito de suplementação para apontar outras possibilidades de se pensar gênero na Amazônia indígena.

 

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Publicado

2022-05-26

Como Citar

MAIZZA, F. .; PEREIRA, B. . Superfluidade de gênero: binarismo e escrita etnográfica na Amazônia . Maloca: Revista de Estudos Indígenas, Campinas, SP, v. 5, n. 00, 2022. DOI: 10.20396/maloca.v5i00.15943. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/15943. Acesso em: 6 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos