Roçando caminho e semeando paisagem

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/maloca.v5i00.15889

Palavras-chave:

Paisagens ameríndias, ações antrópicas, povos isolados, Rondônia, Terra Indígena Massaco

Resumo

A Ecologia Histórica se tornou uma linha de pesquisa fértil para pensar a interação entre humanos, plantas, animais e paisagens. Somando aos esforços nesse sentido, trago o caso dos indígenas em isolamento na Terra Indígena Massaco-RO e as compreensões a seu respeito a partir dos vestígios encontrados em expedições de fiscalização. Apoiado na ideia de uma recusa à agricultura “antineolítica” (Otto, 2016) como uma escolha de perda vantajosa (Levi-Strauss, 2005), e buscando uma saída ao binômio “esquecimento” vs. “abandono situacional” (Santos, 2016), este texto versa sobre as inscrições que os deslocamentos imprimem nas paisagens, ao mesmo tempo em que o faz naqueles que se deslocam, chamando a atenção para possíveis práticas cultivares ocultas à primeira vista.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Amanda Villa Pereira, Universidade de São Paulo

Doutoranda em Antropologia Social pelo PPGAS/USP, pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP) e do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI). Pesquisa a temática dos povos em isolamento desde 2015, com ênfase na Terra Indígena Massaco, região do médio rio Guaporé.

Referências

Amorim, Fabricio. 2018. “O papel dos povos indígenas isolados na efetivação de seus direitos: apontamentos para o reconhecimento de suas estratégias de vida”. Tipití: Journal of the Society for the Anthropology of Lowland South America 16 (1): 149-157.

Amoroso, Marta. 2020. “A descoberta da manhafã: seguindo a trilha da floresta com os Mura”. In: Oliveira, J.; Amoroso, M.; Lima, A.; Shiratori, K.; Marras, S.; Emperaire, L. Vozes Vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo: Ubu Editora, 167-186.

Aparicio, Miguel. 2019. A relação banawá, socialidade e transformação nos Arawá do Purus. Tese de doutorado, Museu Nacional/UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil.

Aparicio, Miguel. 2020. “Contradomesticação na Amazônia indígena”. In: Oliveira, J.; Amoroso, M.; Lima, A.; Shiratori, K.; Marras, S.; Emperaire, L. Vozes Vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo: Ubu Editora, 189-212.

Balée, William. 1993. “Biodiversidade e os índios amazônicos”. In: Carneiro da Cunha, Manuela; Viveiros de Castro, Eduardo. Amazônia Etnologia e História Indígena. São Paulo: NHII, USP.

Balée, William. 1994. Footprints of the forest: Ka’apor Ethnobotany – the Historical Ecology of Plant Utilization by an Amazonian People. New York: Columbia University Press.

Cangussu, Daniel. 2021. Manual do Indigenista Mateiro: Princípios de botânica e arqueologia aplicados ao monitoramento e proteção dos territórios dos povos indígenas isolados na Amazônia. Dissertação de mestrado, INPA, Manaus, Amazonas, Brasil.

Carelli, Vincent (Direção). 2009. Corumbiara. Produção: Vídeo nas Aldeias. Colorido, 160 minutos. Brasil.

Caspar, Franz. 1958. Tupari: entre os índios, nas florestas brasileiras. São Paulo: Editora Melhoramentos.

Clemente, Charles R. 1999. “1942 and the loss of amazonian crop genetic resources. I. The relation between domestication and human population decline”. Economic Botany 53 (2): 188-202.

Cormier, Loretta A. 2006. “Between the Ship and the Bulldozer: Historical Ecology of Guajá Subsistence, Sociality, and Symbolism After 1500”. In: BALÉE, William; ERICKSON, Clark. Time and Complexity in Historical Ecology: Studies in the Neotropical Lowlands. New York: Columbia University Press.

Descola, Philippe. 1996. La selva culta: Simbolismo y praxis en la ecología de los Achuar. Lima: Institut français d’études andines, Abya Yala.

Diniz, Renata O. 2017. “Outra vez, me deixa em paz!: crônicas de um desencontro tupi-guarani no Maranhão”. Revista de Antropologia da UFSCar 9 (1): 83-107.

Fabian, Johannes. 2013. O Tempo e o Outro: como a antropologia estabelece seu objeto. Petrópolis-RJ: Vozes.

Fausto, Carlos. [2001] 2014. Inimigos fiéis: história, guerra e xamanismo na amazônia. São Paulo: Edusp.

Finkelstein, Cláudio; Lima, Clarisse L. 2022. Enciclopédia Jurídica da PUCSP, tomo XI. São Paulo, Pontifício Universidade Católica de São Paulo. Acesso em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/pdfs/refugiados_6218f3e39245a.pdf

Fischermann, Bernd. “Pueblos Indígenas y Nacionales Originários en Bolívia Tierras Bajas Pueblo Sirionó”. In: Atlas Territórios Indígenas y Originarios en Bolivia. La Paz: MDRyT-Viceministerio de Tierra; 2010: 65-66.

Franco, Victoria. 2019. “Isolados Kawahiva resistem ao cerco do desmatamento no Mato Grosso”. In: Cercos e resistência: povos indígenas isolados na Amazônia brasileira. Ricardo, Fany; Gongora, Majoí F. (orgs.). São Paulo: Instituto Socioambiental, 212-215.

Garcia, Uirá F. 2010. Karawara: a caça e o mundo dos Awá-Guajá. Tese de doutorado, USP, São Paulo, SP, Brasil.

Godoy, Gustavo. 2020. Os Ka’apor, os gestos e os sinais. Tese de doutorado, Museu Nacional -UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Gow, Peter. 2011. “‘Me deixa em paz!’: um relato etnográfico preliminar sobre o isolamento voluntário dos Mashco”. Revista de Antropologia 54 (1): 11-46.

Harlan, Jack. 1975. Crops and Man. Madison: American Society of Agronomy.

Holmberg, Allan. 1948. “The Siriono”. In: Steward, Julian H. (ed.). Handbook of South American Indians. Vol. 3: The Tropical Forest Tribes. Washington: United States Government Printing Office, 455-464.

Holmberg, Allan. 1950. Nomads of the Long Bow: the Sirionó of Eastern Bolivia. Washington: Smithsonian Institution, Institute of Social Anthropology, Publication nº.10. Digitalizado pelo Internet Archive e disponível na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju em: http://biblio.etnolinguistica.org/holmberg_1950_siriono. Acesso em 28 abr. 2021.

Jabur, Clarisse. 2021. “Una política ‘a médio camino’: reflexiones sobre la política para pueblos indígenas de contacto reciente en Brasil”. Anthropologica, año XXXIX (47): 413-445.

Keller, Luciana. 2020. Vivendo no “vazio”: relações entre os sobreviventes Kanoê e Akuntsú da Terra Indígena Rio Omerê (RO). Dissertação de mestrado, UnB, Brasília, DF, Brasil.

Lévi-Strauss, Claude. 1948. “Tribes of the right bank of the Guaporé river”. In: Steward, J. (org.). Handbook of South American Indians. Washington: Smithsonian Institute.

Lévi-Strauss, Claude. 1950. “The use of wild plants in tropical South America”. In: Steward, J. (org.). Handbook of South American Indians, vol. 6: 465-486. Physical Anthropology, Linguistics and Cultural Geography of South American Indians. Washington: Smithsonian Institute.

Lévi-Strauss, Claude. [1967] 2005. Do mel às cinzas. Coleção Mitológicas 2. São Paulo: Cosac & Naify.

Maldi, Denise. 1991. “O complexo cultural do marico: sociedades indígenas dos rios Branco, Colorado e Mequens, afluentes do médio Guaporé”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, série Antropologia 7 (2).

Matos, Beatriz de Almeida. 2018. “Povo onça, povo larva: animais e plantas na constituição da pessoa, diferenciação de gênero e parentesco matses”. Revista de Antropologia 61 (3): 109-129.

Meireles, Denise Maldi. Guardiães da fronteira: rio Guaporé, século XVIII. Petrópolis: Editora Vozes, 1989.

Mendes dos Santos, Gilson. 2020. “Transformar as plantas, cultivas o corpo”. In: Oliveira, J.; Amoroso, M.; Lima, A.; Shiratori, K.; Marras, S.; Emperaire, L. Vozes Vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo: Ubu Editora, 140-153.

Miller, Joshua Rhett. 2016. “‘The Man of the Hole’ lives a life that’s the stuff of nightmares”. New York Post. Disponível em: https://nypost.com/2016/09/22/the-terrifyinglonely-ordeal-of-man-of-the-hole/ - acesso 20 jan. 2018.

Neves, Eduardo. 2020. “Castanha, pinhão e pequi ou a alma antiga dos bosques do Brasil”. In: Oliveira, J.; Amoroso, M.; Lima, A.; Shiratori, K.; Marras, S.; Emperaire, L. Vozes Vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo: Ubu Editora.

Neves, Eduardo; Fausto, Carlos. 2018. “Was there ever a Neolithic in the Neotropics?: Plant familizarisation and biodiversity in the Amazon”. Antiquity 92 (366): 1604-1618.

Neves, Eduardo; Heckenberger, Michael. 2019. “The call of the wild: rethinking food production in ancient Amazonia”. Annual Review of Anthropology 48 (1): 371-388.

Oliveira, Joana Cabral de. 2016. “Mundos de roças e florestas”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ciências Humanas, Belém, 11 (1): 115-131.

Otto, Renata. 2016. “A Besta Árida: uma perspectiva ‘antineolítica’ entre os Awá-Guajá, Tupi no Maranhão”. Teoria e Sociedade, Belo Horizonte 24 (2): 130-154.

Reel, Monte. 2011. O último da tribo: a epopeia para salvar um índio isolado na Amazônia. Trad. Marcos Bagno. São Paulo: Companhia das Letras.

Ribeiro, Ricardo Gomes. 2018. Estudo etnobotânico e físico-químico da batata-mairá (Casimirella spp. - Icacinaceae). Dissertação de mestrado defendida no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus.

Ricardo, Fany; Gongora, Majoí F. 2019. “Editorial”. In: Cercos e resistência: povos indígenas isolados na Amazônia brasileira. Ricardo, Fany; Gongora, Majoí F. (orgs.). São Paulo: Instituto Socioambiental, 16-17.

Rival, Laura M. 2002. Trekking Through History: the Huaorani of Amazonian Ecuador. Nova Iorque: Columbia University Press.

Sahlins, Marshall. 2007. “A sociedade afluente original”. In: Cultura na prática. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 105-152.

Santos, Júlia Otero dos. 2016. “Bebida, roça, caça e as variações do social entre os Arara de Rondônia”. Espaço Ameríndio, Porto Alegre 10 (2): 118-161.

Shiratori, Karen. 2019. “O olhar envenenado: a perspectiva das plantas e o xamanismo vegetal jamamadi (Médio Purus, AM)”. Mana, Rio de Janeiro 25 (1): 159-188.

Snethlage, Emil H. 2016. Die Guaporé-Expedition (1933-1935): Ein Forschungstagebuch. Rotger M. Snethlage, Alhard-Mauritz Snethlage e Gleice Mere (orgs.). Böhlau Verlag Köln Weimar Wien.

Vander Velden, Felipe. 2015. “Los niños perdidos de Yjko: historia y alteridad en las relaciones de los karitianas com los ‘bajitos’ de la FLONA de Bom Futuro (Rondonia, Brasil)”. In: Cecilia Martínez & Diego Villar (ed.). En el corazón de América del Sur (2): 213-228. Santa Cruz de la Sierra: Biblioteca del Museo de Historia.

Villa, Amanda. 2018. Demarcando vestígios: definindo (o território de) indígenas em isolamento voluntário na Terra Indígena Massaco. Dissertação de mestrado, UFSCar, São Carlos, SP, Brasil.

Viveiros de Castro, Eduardo. 1986. Araweté: os deuses canibais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Viveiros de Castro, Eduardo. 2019. “No people are na island”. In: Enclosures and resistance: isolated indigenous peoples in brazilian amazonia. São Paulo: Instituto Socioambiental.

Winterhalder, Bruce. 1981. “Foraging Strategies in the Boreal Forest: An Analysis of Cree Hunting and Gathering”. Winterhalder, B.; Smith, E. A. (ed.). In: Hunter-Gatherer Foraging Strategies: Ethnographic and Archeological Analyses. Chicago: University of Chicago Press.

Winterhalder, Bruce; Kennett, Douglas. 2006. “Behavioral ecology and the transition from hunting and gathering to agriculture”. In: Kennett, D.; Winterhalder, B. (org.). Behavior ecology and the transition to agriculture, 1-21. Berkeley: University of California Press.

Downloads

Publicado

2022-07-20

Como Citar

VILLA PEREIRA, A. Roçando caminho e semeando paisagem. Maloca: Revista de Estudos Indígenas, Campinas, SP, v. 5, n. 00, p. e022012, 2022. DOI: 10.20396/maloca.v5i00.15889. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/15889. Acesso em: 29 jan. 2023.

Edição

Seção

Dossiê "Nutrir, crescer, se misturar"