Mineração e(m) Terras Indígenas

reflexões a partir do alto rio Negro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/maloca.v3i00.13692

Palavras-chave:

Mineração, Alto Rio Negro, Eventos, Povos indígenas

Resumo

Este artigo constrói algumas narrativas etnográficas acerca da mineração no alto rio Negro, noroeste amazônico, a partir da pluralidade de atores (indígenas, garimpeiros, empresas, militares, indigenistas, órgão de governo, legisladores etc.), instrumentos ou artefatos (minérios, cartas, leis, projetos de lei, dados científicos, dados de prospecção, ferramentas, dragas etc.) e relações (“poderes”, consensos, dissensos, cooptação etc.) que são postos em cena. Pelo movimento do texto o leitor é conduzido retrospectivamente através de eventos e episódios recentes a um cenário no qual, desde pelo menos os anos 1970, os indígenas (e também não indígenas) do alto rio Negro têm se deparado com a mineração e o garimpo. No entanto, a narrativa não se restringe ao contexto regional, fazendo muitas vezes a ponte com eventos ocorridos e decisões tomadas na esfera nacional. O objetivo principal é mostrar como o acúmulo de experiências e também diferentes perspectivas e anseios em relação à atividade minerária são constantemente atualizadas pelos indígenas do alto rio Negro em relações locais e supralocais.

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Biografia do Autor

Aline Iubel, Universidade Federal de São Carlos

Doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

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Publicado

2020-11-23

Como Citar

IUBEL, A. Mineração e(m) Terras Indígenas: reflexões a partir do alto rio Negro. Maloca: Revista de Estudos Indígenas, Campinas, SP, v. 3, n. 00, p. e020005, 2020. DOI: 10.20396/maloca.v3i00.13692. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/13692. Acesso em: 19 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê "Conjuntos Multicomunitários nas Terras Baixas Sul-Americanas"

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