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Chamada de contribuições para o Dossiê "Economias populares na América Latina: desafios, contribuições e experiências para além da informalidade"

Organizadoras: Chryslen Mayra Barbosa Gonçalves, Universidade de Barcelona (Espanha); Tania Estefany Jiménez Cala, Universidade Arturo Prat (Chile); Antônio Augusto Oliveira Gonçalves, Universidade do Estado de Minas Gerais (Brasil).

Os estudos sobre relações econômicas na Antropologia são altamente reconhecidos: Mauss (1925), Godelier (2001), Sahlins (1992, 2003) e Polanyi (1947) são algumas das referências "clássicas" sobre o assunto, suas obras abordam reciprocidade, relações de dádiva (dar-receber-retribuir), valorização e crítica das teorias econômicas clássicas (substantivistas versus formalistas) na compreensão das relações econômicas das nossas sociedades. Autoras como Strathern (1988), Seligman (1993) e Carsten (2000) trazem questões de gênero e parentesco para o debate sobre economias, contribuindo para a compreensão dos significados de reciprocidade, produção e relações afetivas que estão atrelados aos processos de troca.

Trabalhos como de Tassi et al. (2013) e Juliane Müller (2015, 2018, 2020) demonstram a insuficiência das teorias da informalidade e da economia neoclássica para entender as experiências de economias populares e/ou indígenas na América Latina. Ambos autores andinistas mostram que o setor da economia popular é constituído por pessoas que foram marginalizadas pelas elites econômicas (que possuem características raciais, étnicas e de classe específicas) e pelas políticas formais do Estado e que, apesar do processo de marginalização, souberam como construir redes econômicas, relações criativas, para além das deficiências presentes na condição de autônomo. Outras referências (como Verónica Gago, 2014) demonstram a importância de se produzir etnografias nesses espaços vistos pelas teorias informais como marginais: feiras, favelas, calçadas, praças, mercados populares, fronteiras, entre outros. A ocupação dos espaços urbanos e a construção de cartografias específicas por essas redes econômicas transformaram as relações dessas sociedades, seus vínculos, sua forma de comer e, como no caso do altiplano andino boliviano, impossibilitaram o estabelecimento de alguns monopólios de mercados transnacionais.

Da mesma forma, nas terras baixas há um conjunto de estudos realizados a partir de Lévi-Strauss (1942), em Guerra e comércio entre os índios da América do Sul, passando por Humphery e Hugh-Jones (1992), Overing (1992), Gallois (2005), Gordon (2006), entre outros especialistas que têm procurado compreender as redes de trocas e relações entre os povos indígenas sem necessariamente interpretá-las como gradientes de contato e/ou resultado das frentes de expansão da sociedade nacional, mas buscando abordá-las com base nas suas próprias perspectivas, na maioria das vezes descrevendo complexos sistemas multicomunitários, multiétnicos e multinacionais. É interessante notar que nesses estudos, as economias geralmente não são concebidas como um fenômeno separado, mas sim como uma articulação relacional, na qual pessoas, nomes, rituais, bens, trocas linguísticas, conflitos, guerras e outros fluxos se combinam de múltiplas maneiras.

Assim, a proposta deste dossiê é dar visibilidade a essas experiências econômicas dos povos e economias populares da América Latina. Interessa-nos conhecer os desafios e as contribuições que essas economias trazem ao debate da Antropologia Econômica, para além dos significados propostos pelas teorias econômicas da informalidade, marginalidade e sobrevivência/subsistência.

Os eixos propostos para o dossiê são os seguintes:

  1. Experiências econômicas no cotidiano, além-fronteiras e em espaços locais;
  2. Economias e afetos;
  3. Economias e gênero;
  4. A relação entre humanos e não humanos na produção econômica;
  5. Redes de relações e trocas entre comunidades.

Os trabalhos devem ser inéditos e originais, em inglês, espanhol, francês ou português, conforme nossas normas de publicação e enviados ao nosso site: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/about

Prazo de envio: 30/06/2023