Resumo
No pós-Segunda Guerra Mundial, as relações econômicas especiais estabelecidas entre os Estados Unidos e alguns seletos Estados no contexto da Guerra Fria foram interpretadas pela literatura sob o termo de “desenvolvimento a convite”. Este tipo de arranjo desenvolvimentista era calcado na promoção das exportações dos “convidados” ao mercado do “anfitrião” e em outros modos de facilitação ao desenvolvimento econômico. A lógica por trás da seleção de tais Estados era informada pelo imperativo estratégico da Guerra Fria, que, do lado de Washington, postulava a contenção da União Soviética ao longo das franjas da Eurásia e do Rimland. Nos marcos deste arranjo, Japão e Alemanha Ocidental tiveram seus capitalismos nacionais (re)articulados, figurando assim como os casos nacionais de desenvolvimento mais chamativos do tipo “desenvolvimento a convite”. Nesta pesquisa sustentamos que o período de rapprochement sino-americano a partir da viagem de Nixon em 1972 guarda muitas semelhanças com o tipo de desenvolvimento intitulado “a convite” na literatura. Contudo, as dinâmicas da China enquanto Estado são muito distintas daquelas experimentadas em outros “convidados”. Japão e Alemanha Ocidental eram Estados ocupados ao fim da Segunda Guerra e tiveram os seus regimes políticos internos profundamente alterados por Washington. Partindo dessas constatações, nesta pesquisa procura-se entender a relação econômica especial estabelecida entre China e Estados Unidos a partir da década de 1970 à luz deste conceito de desenvolvimento a convite. Os resultados parciais da pesquisa indicam que o caso chinês parece ser muito idiossincrático e indicativo de um tipo “especial” de convite ao desenvolvimento.
Referências
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Copyright (c) 2023 Matheus de Freitas Cecílio