Seminário Pesquisar China Contemporânea https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil <p><strong>Descrição</strong>: Com o intuito de fortalecer a rede de pesquisas Brasil-China, a UNICAMP sedia desde 2017<strong> Seminário Pesquisar a China Contemporânea</strong> que visa ampliar o debate acadêmico sobre a China em seus mais diversos campos conectando professores, pesquisadores e estudantes. Para isso temos a presença de professores e pesquisadores consagrados na área, em mesas redondas, mas também grupos de trabalho, onde os alunos de pós-graduação apresentam suas pesquisas.<br /><strong>Ano de criação</strong>: 2017<br /><strong>Área do Conhecimento</strong>: Ciências Sociais / Relações Internacionais<br /><strong>ISSN</strong>: 2675-309X<br /><strong>Título abreviado</strong>: Sem. Pesq. a China Contemp.<br /><strong>Contato</strong>: <a href="mailto:chinabrasil.unicamp@gmail.com">chinabrasil.unicamp@gmail.com </a><br /><strong>Unidade</strong>: <a href="http://www.gebc.relacoesinternacionais.unicamp.br/" target="_blank" rel="noopener">GEBC/UNICAMP</a></p> Universidade Estadual de Campinas pt-BR Seminário Pesquisar China Contemporânea 2675-309X A Arte da Guerra de Sunzi (séc. IV aec.) https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4625 <p align="justify"><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">O objetivo </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">presente</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;"> é apresentar a síntese da pesquisa de mestrado intitulada </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">“O caminho geopolítico de ‘A arte da guerra de Sunzi’ :produção do espaço, geopolítica e guerra no Período de Estados Combatentes (séc. V-III aec.) da China Antiga”. </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">Examinamos</span></span> <span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">as suas condições contemporâneas de recepção </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">e</span></span> <span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">o histórico de sua </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">tradição e </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">de sua </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">circulação </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">desde sua produção</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">. </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">Focamos sobretudo na invesitgação de</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;"> como o livro “A arte da Guerra de Sunzi” (séc. IV aec.) elabora o problema geopolítico presente no Período de Estados Combatentes, que antecede a formação do império chinês (221 aec.) </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">enquanto uma questão bélico-militar</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">.</span></span> <span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">N</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">ossa dissertação apresenta uma tese tanto em Geografia Histórica, colocando o problema do período anteriormente referido como um problema geográfico-geopolítico, como em História da Geografia, dado que esta obra, enquanto obra configurada pela questão geográfica, se torna importante para a compreensão da História da China.</span></span> <span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">Sua longeva tradição interpretativa, e necessária circulação material, portanto, estaria no fato de a questão da produção do espaço tanto antes </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">(lá)</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;"> como aqui </span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">(</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">agora</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;">)</span></span><span style="color: #666666;"><span style="font-size: medium;"> continuou conservada em alguma medida — por exemplo pelo seu atravessamento militar, bélico e social — sendo reconfigurada por outros processos históricos que a condicionaram. Essa obra, por tratar de um problema bastante complexo e ser fruto de uma tradição oral longeva (que só posteriormente se precipita em texto escrito), é tanto um documento histórico desse momento da História da China, como também é profunda o suficiente para possibilitar uma tradição que superasse esse momento de sua criação, o que, de fato, ocorreu.</span></span></p> João Souza Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 China versus big techs https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4623 <p>A pesquisa aborda o caso Guo Bing, professor de Direito que moveu ação judicial contra o uso de reconhecimento facial pelo zoológico de Hangzhou. No entanto, ainda não se sabe se o caso abriu precedente contra as grandes empresas de tecnologia (Big Techs) ou foi apenas um episódio isolado, de alcance local, sem maiores consequências para o regime de vigilância chinês. A hipótese é que, independentemente do resultado, o caso já é emblemático por sinalizar que a China contemporânea está em sintonia com o “estado de direito” e demandas caras como privacidade e proteção de dados pessoais. Argumenta-se, portanto, que a hoje China está à frente de democracias clássicas, como a estadunidense, ao ter legislação própria e de alcance nacional. Alinhada, então, aos padrões internacionais mais modernos, como o GDPR europeu. O objetivo é aferir se tal vantagem comparativa irá mudar a imagem atual da China como violadora de direitos humanos e liberdades civis, bem como propriedade intelectual, segredos industrial e comercial. E, secundariamente, perquirir qual sua repercussão na atual disputa com os EUA, ao deixá-los para trás, já que ainda lidam com legislações esparsas para tratar dessas matérias. Como conclusão, entende-se que tal lacuna normativa gera insegurança jurídica e põe em xeque a disposição estadunidense para regulação das novas tecnologias e controle monopolístico pelas Big Techs. A metodologia, para tanto, é transdisciplinar, segundo as Ciências do Direito, da Sociologia, Economia Política, Comunicação e Literatura. Pela análise comparativa de indicadores quantitativos e qualitativos de fontes primárias e secundárias.</p> Anderson Röhe Fontão Batista Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 A China e a Governança Ambiental Global https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4620 <p>A governança ambiental global é composta por uma rede de parcerias internacionais e/ou transnacionais, com a participação de atores diversos que ensejam esforços de cooperação pautados em objetivos comuns e busca de benefícios mútuos. Atualmente, essa rede encontra-se comprometida devido às crises causadas pela pandemia de Covid-19, que catalisou a desaceleração econômica mundial, a degradação ambiental e os riscos climáticos. Nesse contexto, a China surge como um outlier, muito pelo fato de ter contornado as adversidades econômicas de forma rápida e significativa, o que possibilitou ao país mitigar possíveis ameaças aos seus objetivos estratégicos diversos, como os advindos do conceito de “Comunidade com Futuro Compartilhado para a Humanidade (CFCH)”, de 2012. Desse modo, o conceito CFCH desponta como elemento de necessidade e oportunidade; é um conceito fulcral para a superação de desafios impostos ao desenvolvimento da China e, não obstante, apresenta oportunidades para o fortalecimento de uma agenda ambiental relevante. Em outubro de 2021 a China sediará a “Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB-ONU)”, que tem como objetivo revisar seus objetivos base, denominados “Metas de Aichi 2011-2020”. Com base em revisão de literatura sobre o conceito CFCH, será apresentada uma reflexão crítica do conceito e suas possíveis interpretações na prática diplomática da China em questões ambientais. A hipótese é de que o CFCH se relaciona não somente em questões ambientais domésticas da China, mas principalmente na busca do fortalecimento da governança ambiental global como um todo.</p> Luis Filipe de Souza Porto Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 China, Brasil e a Dificuldade de Explicar o Comportamento Chinês através de Teorias Existentes https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4618 <p>No presente texto, pretende-se, em um primeiro momento, apresentar uma revisão bibliográfica acerca dos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos nos temas da Nova Ordem Econômica Global Chinesa e do Direito e Desenvolvimento Chinês, nomeadamente por Matthew Erie, Gregory Shaffer, Henry Gao e Heng Wang, apresenta-se os principais conceitos e argumentos levantados pelos autores para teorizar a expansão da China no contexto da ordem legal econômica global. Com diferentes perspectivas, propostas conceituais, metodologias e substratos teóricos, os autores desenvolvem trabalhos com escopos mais ou menos amplos do ponto de vista econômico e, em menor escala, político, e que aparentam compartilhar certa equivalência ou complementariedade. O argumento a ser desenvolvido em um segundo momento, e que é parte de uma pesquisa maior com fins à construção de uma dissertação de mestrado, é a adequação desses exercícios teóricos e argumentativos sobre a relação entre Brasil e China, levando em consideração não somente as particularidades da China, das interações entre os dois países, mas também algumas peculiaridades internas do Brasil, como características do sistema jurídico nacional que o diferenciam dos países utilizados como amostragem pelos autores, cujos trabalhos observaram majoritariamente as relações da China com outros países localizados na <em>Belt and Road Iniciative</em>. A relação entre o Brasil e China parece conter elementos apontados pelos autores, porém, apresenta diferenças possivelmente decorrentes de características dos dois países do Sul Global: a China como uma potência em ascensão, e o Brasil como uma economia média, na qual há um sistema legal denso, no qual identifica-se majoritariamente o uso de instrumentos jurídicos para o estabelecimento de laços econômicos, e a forte relevância de setores primários, como a agricultura e exportação de <em>commodities.</em> Com esse exercício exploratório de pesquisa, objetiva-se discorrer, e abrir uma agenda de pesquisa, acerca da necessidade de futuras produções de Direito e Desenvolvimento que compreendam de maneira teórica a relação econômica entre Brasil e China.</p> Amanda Mitsue Zuchieri Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 Diálogos entre os investimentos chineses no setor agrícola e o ambiente regulatório brasileiro https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4597 <p><span style="font-weight: 400;">A pesquisa tem o intuito de compreender como a regulação agrária brasileira molda-se e é moldada pelos investimentos chineses. Diante da rápida emergência de empresas chinesas no agronegócio, estudos buscaram capturar as suas estratégias de internacionalização e entrada nos setores agrícolas ao redor do globo. Identificando estratégias </span><em><span style="font-weight: 400;">greenfield</span></em><span style="font-weight: 400;">, via aquisição de terras, tais estudos utilizaram-se da literatura que debate o fenômeno de </span><em><span style="font-weight: 400;">land grabbing</span></em><span style="font-weight: 400;"> para compreender tais investimentos. Tais pesquisas têm centrado-se em enquadrar os investimentos chineses no fenômeno de </span><em><span style="font-weight: 400;">land grabbing</span></em><span style="font-weight: 400;">, ora retratando-os como atores-chaves deste processo global, ora destacando-os como apenas mais um dos vários atores envolvidos. Contudo, são ainda escassos os estudos dos investimentos chineses no setor agrícola, no bojo deste fenômeno global de aquisição de terras, sobre a ótica da regulação brasileira. Unindo estudos que investigam o processo de</span><em><span style="font-weight: 400;"> land grabbing</span></em><span style="font-weight: 400;"> no quadro teórico da economia política agrária com a literatura jurídica sobre o arranjo jurídico brasileiro de investimento estrangeiro na terra, a metodologia empregada uniu empiria com fundamentação teórica, fundando-se, sobretudo, no método de pesquisa grounded theory. Os resultados encontrados mostram uma relação bilateral entre os investimentos chineses e o marco regulatório brasileiro: ora é o investimento chinês que muda, de forma direta, a regulação, ora é a regulação nacional que altera a abordagem dos investimentos chineses para o agronegócio brasileiro.</span></p> Diego Flávio Fontoura José Julia Brito Ospina Magali Favaretto Prieto Fernandes Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 Chinese Trumpists https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4573 <p>Although the 2020 US presidential election has ended with the victory of the Democrat candidate Joe Bien, the right-wing populist wave brought by Trump has never ceased. In China, interestingly, there are not a few people who support Trump since the 2016 election. Despite Trump’s provocative discourse and actions against China, many Chinese fans still stood by his side in the latest election. In this paper, I will explore the phenomenon of Chinese Trumpism by studying qualitative data from Zhihu (??), a Chinese online Q&amp;A community whose users are mostly highly educated and are more actively engaged in political discussion than in general. Responses to questions about Donald Trump from 2016 to 2021 will be selected and analyzed. Based on the literature review and previous observations of the platform, it is assumed that, firstly, Trump’s conservative values indeed meet those of Chinese netizens, since most of them bear antagonist sentiments against western liberal doctrine. Secondly, the populist figure of Trump has appealed to Chinese netizens who consider him an honest, straightforward, and courageous politician different from the ‘hypocritical’ liberal elites. Thirdly, some people believe that Trump’s being president of the US might be more advantageous for China, while the motivations behind this vary across individuals. This study aims at contributing to Chinese public opinion studies and China-US relations with a focus on social media discourse.&nbsp; &nbsp;&nbsp;</p> Miaofang Guan Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 A Iniciativa Cinturão e Rota para além da Geopolítica Clássica https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4570 <p>O presente estudo objetiva analisar os aspectos institucionais da Iniciativa Cinturão e Rota no contexto de ascensão da China rumo à liderança do sistema internacional. O recorte temporal tem início no ano de 2013 e se estende até 2020, abrangendo o governo de Xi Jinping. Tendo em vista a convergência entre a estrutura do “<em>heartland</em>” formulado por Halford Mackinder e a abrangência geográfica da iniciativa, os referenciais teóricos adotados para analisá-la são o realismo moral, desenvolvido por Yan Xuetong, e o realismo ofensivo, desenvolvido por John Mearsheimer. Uma comparação entre estas vertentes do realismo deve propiciar uma compreensão ampla sobre os fundamentos geopolíticos do sistema institucional desenvolvido pela Nova Rota da Seda. O problema de pesquisa é formulado com a seguinte questão: Como explicar a relevância geopolítica da Iniciativa Cinturão e Rota para a ascensão chinesa no sistema internacional? A hipótese da pesquisa considera a fundamentação ampla e dinâmica da Iniciativa Cinturão e Rota para inferir que o realismo moral pode fornecer uma visão mais completa sobre o projeto em termos de obtenção da liderança institucional em nível internacional, enquanto o realismo ofensivo proporciona uma narrativa limitada por um viés material economicista e militarista. A formulação de Yan Xuetong acrescenta à geopolítica uma variável baseada em força política, indo além da força material, para explicar o deslocamento da liderança internacional rumo à Ásia. As instituições financeiras e políticas que configuram a Iniciativa Cinturão e Rota determinam a força política no caráter dinâmico na ascensão chinesa.</p> Rafael Queiroz Alves Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 A batalha da china contra a pobreza rural https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4630 <p>O ano de 2020 registrou o aumento da pobreza global. Na contramão da economia mundial, a China anunciou, no final de 2020, a erradicação da extrema pobreza em seu território. Se somados aos 600 milhões das décadas de 1990 e 2000, a China contabiliza um feito significativo ao retirar um contingente equivalente a 3 vezes a população brasileira da situação de extrema pobreza. Ao longo de aproximadamente 40 anos, quatro governos mantiveram o propósito de eliminar a fome que assolou a população durante vários momentos da história recente chinesa. Trata-se de um contrato entre o Partido Comunista Chinês (PCCh) e o povo chinês: não permitir que a população chinesa volte a enfrentar as dores da fome como no passado. Os esforços chineses, que se iniciaram nos anos 1980, resultaram na redução de 75% da pobreza global. À época, a incidência de pobreza nas áreas rurais chinesas chegava a 90% da população local segundo o Banco Mundial. A trajetória não foi fácil. A partir de 2005, os planos de redução da pobreza rural concentraram-se na qualidade de vida através de políticas de bem-estar e na redução da enorme disparidade entre o rural e o urbano. Entender os passos e os caminhos traçados pelo Partido Comunista Chinês para a erradicação da extrema pobreza é o principal objetivo deste artigo. Através de análises de políticas direcionadas, atenção especial à pobreza rural e desenvolvimento do setor agrário chinês formam-se os objetivos-chave para a construção da análise geral da pesquisa.</p> Monalisa Nascimento Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-12-01 2021-12-01 5 A outra metade do céu https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4626 <p>A partir da fundação da República Popular, o Partido Comunista (PCCh) modificou totalmente as estruturas urbanas e rurais da China, política, social e economicamente. Embora suas raízes tenham caráter marxistaleninista, o PCCh possui características próprias, um "socialismo à moda chinesa", que veio junto com uma campanha anticonfucionista, o que implicava o rompimento da ordem tradicional chinesa em nome da modernidade. Isto fez com que houvesse um avanço no que diz respeito à figura da mulher dentro do contexto urbano, como a abolição de leis antigas de casamento, a entrada no mercado de trabalho e a participação ativa em certas alas do Partido. Entretanto, embora na teoria o socialismo vise a igualdade entre homens e mulheres nas atividades sociais e de produção, o peso dos costumes milenares chineses não foi algo fácil de se dissipar.</p> <p>Ao analisar a representação da mulher chinesa na literatura e em fontes imagéticas, o presente trabalho procura indagar qual o impacto dos antecedentes culturais na vida destas mulheres modernas, bem como as consequências a curto e longo prazo de uma tradição baseada em relações de poder. Nesta perspectiva, busca-se compreender como a tradição, ainda tão enraizada no seio da China moderna, teve um papel tão importante numa sociedade que, a partir de 1949, procurava romper com as tradições confucionistas em nome da modernidade.</p> Bettina Pinheiro Martins Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 As Bases de Pensamento da Política Externa de Xi Jinping para a Iniciativa do Cinturão e Rota https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4624 <p>A República Popular da China, hoje é dita como uma das principais potências mundiais, grande parte desse destaque, é de responsabilidade do legado da política externa chinesa que, desde seus primeiros líderes, desenvolve importantes estratégias para a ascensão da China como potência. Atualmente, um dos destaques desta política externa, sob a liderança do presidente Xi Jinping (2013-), é a Iniciativa do Cinturão e Rota, em inglês, <em>Belt and Road Initiative (BRI)</em>. A iniciativa foi oficialmente lançada em 2015, com o objetivo de aproximar os laços entre os continentes, estabelecendo parcerias estratégicas entre os países membros. Dentro os princípios que baseiam a iniciativa estão: a paz e cooperação, abertura e inclusão, aprendizado e benefício mútuos, atuando através da paz e da não intervenção nos assuntos internos de outros países. Ao nos atentarmos a estes princípios da BRI, se faz importante citar os Cinco Princípios de Coexistência Pacífica: respeito mútuo à soberania e à integridade territorial, não agressão mútua, não interferência nos assuntos internos um do outro, igualdade e benefício recíproco e coexistência pacífica. Tais princípios podem ser interpretados como uma das bases do pensamento chinês sobre política externa, pois foram criados por Mao Zedong e Zhou Enlai na década de 1950. No intuito de investigar a temática, propõe-se o presente constructo como parte da pesquisa de dissertação da autora, que tem como objetivo analisar quais são as bases de pensamento do presidente Xi Jinping, ao formular a política externa chinesa, voltada para a Iniciativa do Cinturão e Rota.</p> Yasmin Castelli Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 Por uma geopolítica descolonial do Sul Global https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4622 <p>No começo do século XXI, o Sul Global vem sendo a categorização mais importante para apresentar alternativas à descolonização e à globalização neoliberal. Como um movimento multifacetado que enfatiza a necessidade de uma comunidade internacional pós-colonial e que avance nos objetivos da igualdade e solidariedade internacional numa ordem internacional livre dos arcabouços institucionais do colonialismo (GROVOGUI, 2011), “a cooperação Sul-Sul tem sido um conceito chave e um conjunto de práticas em busca dessas mudanças históricas através de uma visão de benefício mútuo e solidariedade entre os menos favorecidos do sistema internacional”. (GRAY; GILLS, 2016, p. 557)</p> <p>Nesse tocante, o presente artigo vislumbra uma possibilidade de análise comparativa de dois protagonistas para este movimento: a América Latina e a China. Uma vez que as relações sino-latinoamericanas foram exponencialmente intensificadas desde o início da década de 2000, considera-se fundamental realizar uma ponte de saberes desses dois importantes centros do Sul Global.</p> <p>O objetivo principal é analisar e estabelecer possíveis correlações entre o “socialismo com características chinesas” e o “socialismo com características latinas” nos marcos do pensamento descolonial. Assim, a partir de uma metodologia empírico-dedutiva lastreada em dados qualitativos proporcionados por revisão bibliográfica, a hipótese central seria de que a construção de novos modelos de socialismo possibilitam pontos de convergência em experiências empíricas diferentes, seja na “onda vermelha” da China, seja na “onda rosa” da América Latina.&nbsp;</p> Bernardo Rodrigues Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 The Belt and Road Initiative and its Impact on Latin America’s Connectivity https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4619 <p><span style="font-weight: 400;">Since its launch in 2013, the Belt and Route Initiative (BRI) - in Chinese </span><em><span style="font-weight: 400;">Yi Dai Yi Lou </span></em><span style="font-weight: 400;"> (????) - has attracted the attention of observers from around the world for its goals and the magnitude of its investments. In academic circles, several debates emerged regarding the economic, political, and geostrategic aspects of the initiative. Some studies highlight the BRI's ability to promote a new global financial architecture, others its geopolitical impacts. Although these works are extremely timely, the contributions that investigate how the BRI concretely produces greater regional and global connectivity, especially in Latin America and the Caribbean (LAC), are incipient. The concept of </span><em><span style="font-weight: 400;">connectivity </span></em><span style="font-weight: 400;">is central to the initiative, appearing in several speeches and official documents (CHINA, 2015a; JINPING, 2017; CGTN, 2020). In the words of the National Development and Reform Commission (NDRC), the BRI is an initiative that mainly seeks to strengthen the “physical, institutional, and cultural connectivity between all the countries that are part of it” (CHINA, 2015b). As the BRI consolidates in LAC, connectivity expands through investments in large infrastructure projects that drive new and greater trade flows. In addition to heavy engineering and increased commercial transactions, the BRI also fosters the construction of a complementary legal infrastructure that regulates economic interactions, safeguarding the interests of investors and host countries (LIAO, 2019). Legal connectivity encompasses, e.g., Free Trade Agreements (FTAs), cross-border regulations, customs and financial cooperation mechanisms. (...)</span></p> Marco André Germanò Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 A geopolítica sino-russa na Eurásia e as Disputas China-EUA https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4614 <p>O supercontinente eurasiático é uma zona geopolítica fundamental no sistema internacional. Na lógica do poder terrestre, o poder do <em>Heartland</em> exerce poder sobre a Eurásia; portanto, é um território de grande importância estratégica e disputas interestatais. Atualmente, é prioridade da política externa dos Estados Unidos evitar a reaproximação entre potências eurasiáticas emergentes, especialmente China e Rússia. No entanto, ambas têm o potencial de centralizar a geopolítica da Eurásia em ações coordenadas e reivindicar seus próprios projetos de integração: a chinesa <em>Belt and Road Initiative </em>(BRI) e a União Econômica Eurasiática (EAEU), respectivamente. Esta coordenação de projetos conjuntos conduziu a uma convergência estratégica na Eurásia: a Grande Eurásia (<em>Greater Eurasia</em>), com base na constituição de uma Parceria Econômica Eurasiática (<em>Eurasian Economic Partnership</em>), com o objetivo de integrar as bordas do Pacífico ao Leste Europeu, junto à União Europeia. Este artigo objetiva analisar como as ações coordenadas sino-russas estão avançando seus planos geoestratégicos na Eurásia, a partir da perspectiva da Ásia-Pacífico, em oposição à geoestratégia estadunidense, concentrada no plano do Indo-Pacífico. Os movimentos antagônicos na Eurásia, baseados principalmente nos avanços chineses e nas contenções feitas pelos Estados Unidos na Europa, e com o auxílio dos países <em>Quad </em>no chamado Indo-Pacífico, opõem-se a uma posição cooperativa chinesa, em maiores níveis de comércio e tecnologia, contra a posição defensiva dos EUA, preferencial de uma lógica de contenção e segurança. No entanto, aumentam os questionamentos sobre a capacidade dos Estados Unidos de propor uma alternativa econômica à cooperação chinesa e à parceria sino-russa na Eurásia.</p> Lucas Gualberto do Nascimento Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 Os comunistas comem criancinhas https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4574 <p>Não&nbsp; é possivel para estudar o outro – principalmente um outro visto como “tão diferente e exótico como a China” – sem se debruçar sobre duas coisas, pelo menos: como pensar e entender o outro; e como pensar o outro a partir de suas categorias. Neste sentido, alguns estudiosos nos ajudam a ver que, durante séculos, o ocidente criou uma narrativa única sobre o outro. Nesta narrativa, este outro foi dividido em vários grupos diferentes, hierarquizados e, com isso, vistos como insuficientes de algum modo, tomando o pensamento, a cultura e os valores ocidentais como parâmetro.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em relação à China, são aproximadamente cinco séculos de uma narrativa centrada em uma suposta falta – falta lógica, falta filosofia, falta liberdade, falta democracia, faltam direitos humanos, etc. – que se mantém atualmente. Isto ocorre através da academia que não questiona essas caracterizações do Outro e reproduz discursos eurocêntricos do início do século XX, como os trabalhos de Marcel Granet, por exemplo. Ocorre, também, e de forma mais sistemática, na mídia televisiva ou escrita, que reforça os estereótipos hegelianos sobre China, normalmente tendo interesses geopolíticos em vista. O governo chinês, ao buscar agir no cenário internacional considerando os diversos temas sob o viés de “características” chinesas, tem atuado contra essas práticas ocidentais, reafirmando suas particularidades culturais.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a China e a filosofia chinesa, bem como as teorias decoloniais têm tido uma atuação importante no fortalecimento da perspectiva de de(s)colonização das Relações Internacionais, contribuindo para que se comece a compreender o mundo a partir de novos conceitos.</p> Julia Souza Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 Financiamento da Belt and Road Initiative, Internacionalização do renminbi e o Sistema Financeiro da China https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4571 <p>A internacionalização do renminbi tem sido uma das prioridades do Partido Comunista da China (PCC), especialmente após a Crise de 2008. Neste cenário, a Belt and Road Initiative (BRI), lançada pelo PCC em 2013, é um projeto inserido na estratégia chinesa de adoção mundial da sua moeda. O objetivo do estudo é compreender o avanço do uso da moeda chinesa nos projetos da BRI, bem como os maiores desafios enfrentados pelo governo chinês neste processo. A metodologia utilizada inclui a revisão da literatura aprofundada sobre os tópicos e a busca de fontes primárias. Conclui-se que a internacionalização do renminbi ainda terá grandes desafios pela frente, que irão requerer muito tato diante da comunidade internacional, e avanços nas reformas do sistema financeiro da China. O capítulo procura destacar também as questões de segurança jurídica e de solução controvérsias. O BRI aparece como estratégia positiva para o governo chinês propagar a expansão do uso de sua moeda ao longo do globo.</p> Isabelle Carvalho Costa Pinto Carlos Eduardo Ferreira de Carvalho Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 A China na visão de think tanks durante o governo Trump (2017-2020) https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4568 <p>A pesquisa faz o esforço de mapear e discutir a produção de <em>think tanks</em> (TTs) no que tange à República Popular da China (RPC) durante o governo do presidente Donald Trump (2017-2020). As perguntas que moveram a pesquisa foram: há alguma influência de TTs na política dos EUA para a China no período elencado? Se sim, em que medida? A hipótese é que essas instituições operavam, antes da administração Trump, já no sentido de recomendar ajustes na política dos EUA para a China, ao constatar que este Estado se tornava um potencial competidor estratégico dos EUA, mas identifica-se, no período, que suas recomendações e produção nesse sentido se tornam mais proeminentes, em um contexto maior de apoio bipartidário e da opinião pública às medidas mais duras para com a China. Os TTs escolhidos para análise foram o <em>Council on Foreign Relations</em> (CFR), o <em>The Asia Society Policy Institute </em>(ASPI) e o <em>The Heritage Foundation</em> e os resultados obtidos demonstraram a influência desses TTs no debate público sobre o tema e a fomentação de uma percepção mais negativa sobre a China nos EUA, principalmente com um entendimento de aquele era um Estado assertivo e competidor desleal. Apesar de suas orientações ideológicas diferentes, as recomendações dos TTs estão alinhadas, com grande destaque identificado para a necessidade de expansão do mandato de instituições nacionais que pudessem observar com maior escrutínio os investimentos chineses nos EUA e para a necessidade de maiores investimentos dos EUA nas chamadas tecnologias do futuro.</p> Rúbia Marcussi Pontes Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-09 2021-11-09 5 Cinema e ballet revolucionário chinês https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/chinabrasil/article/view/4629 <p>O tema abordado na presente pesquisa é a representação das personagens femininas no longa–metragem <em>Destacamento Vermelho de Mulheres <img src="https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/public/site/images/administrador/resumo1.png" alt="" width="246" height="18" /></em>, dirigido por Xie Jin, e no ballet filmado de mesmo título lançado em 1971, apresentando uma adaptação ao roteiro do filme de Xie Jin e dirigido por Pan Wenzhan e Fu Jie. Os filmes pertencem, respectivamente, ao chamado Período dos 17 Anos (1949-1966) e à Revolução Cultural (1966-1976), anos que compreendem o governo de Mao Zedong. No período Maoísta as mulheres chinesas passaram a integrar a força de trabalho nacional, e nas produções artísticas tornaram-se protagonistas e heroínas. Em <em>Destacamento Vermelho de Mulheres </em>acompanhamos a trajetória de Wu Qionghua, de camponesa escravizada à heroína revolucionária durante um dos episódios do processo de libertação da província de Hainan entre os anos de 1930 e 1932. Outro aspecto que nos chama atenção sobre a participação da mulher na Revolução Chinesa é a liderança de Jiang Qing – esposa de Mao Zedong – nas produções artísticas durante os dez anos da Revolução Cultural (1966-1976). Jiang Qing foi atriz de teatro e de cinema em filmes secundários durante a década de 1930, e após seu casamento com Mao Zedong em 1938 ficou afastada da vida pública até às vésperas da Revolução Cultural. A análise também leva em conta o desenvolvimento peculiar do cinema chinês desde seus primórdios, e sua originalidade estética baseada nos diferentes tipos de artes do país. Durante o período Maoísta, inicialmente por influência soviética, a indústria cinematográfica da China voltou-se para os temas socialistas com a intenção da internacionalização das artes nacionais que buscava tornar mundial a revolução. Através do slogan <em>gu wei jin yong yang wei zhong yong <img src="https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/public/site/images/administrador/resumo2.png" alt="" width="123" height="19" /></em><em>, </em>que significa usar o antigo para o presente, e as coisas estrangeiras para a China, as diretrizes culturais do Partido Comunista se apoiaram no apelo popular de diversas artes chinesas e também estrangeiras para construir as narrativas heroicas de um povo forjado sob o socialismo, e que fossem facilmente absorvidas não somente pela população local, mas também por povos de outros países. Os filmes em questão são exemplos do lema supracitado e combinam recursos estéticos ocidentais, como por exemplo o ballet clássico, com elementos orientais como teatro operístico chinês, resultando em uma estética original para o cinema.</p> Thais Craveiro Copyright (c) 2021 Seminário Pesquisar China Contemporânea https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ 2021-11-12 2021-11-12 5