Resumo
A intensificação do processo de urbanização que teve lugar na China a partir da segunda metade da década de 1970, em conjunto com o processo de abertura econômica, trouxe consigo importantes transformações no perfil socioeconômico da população urbana e na sua forma de consumo. A proteína animal ganhou mais relevância na dieta, notadamente através da carne suína. Como consequência, houve crescimento da procura por grãos para a composição da ração, seguindo uma tendência geral de ampliação da demanda por produtos agrícolas naquele país. Com a diversificação da produção camponesa, oriunda do processo de flexibilização produtiva nas áreas rurais, e a saturação das terras, não era possível suprir a crescente demanda interna por grãos.
Diante desse cenário, a China se consolida na década de 1990 como um país importador de grãos. Esse processo é intensificado a partir do ingresso do país na Organização Mundial do Comércio em 2001 e da Política Going Global, quando grandes empresas do agronegócio mundial se tornam atuantes no território chinês. Nesse novo contexto, a América Latina, principalmente o Brasil, se torna um dos principais fornecedores de grão para o mercado chinês. Ainda que as relações sino-brasileiras datem do século XIX, tem-se que as bases do comércio bilateral tal qual hoje o conhecemos se estabeleceram a partir da década de 1990, e o setor agropecuário ganhou maior peso nas exportações nacionais para a China a partir de 2004. Isso foi possível graças ao fenômeno de reestruturação produtiva pelo qual passou o território brasileiro a partir de meados...
Referências
FURTADO, Paloma C. C. Guitarrara. Agronegócio e dependência externa: análise das relações sino-brasileiras e sua influência em escala regional - o caso dos Cerrados do Centro-Norte do Brasil (MATOPIBA). 2019. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas – SP.
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