Funcionalista, determinista e reducionista: o feminismo da reprodução social e seus críticos

Autores

  • Cinzia Arruzza New School for Social Research

DOI:

https://doi.org/10.20396/cemarx.v0i10.10920

Palavras-chave:

Teoria da reprodução social, Consubstancialidade, Marxismo

Resumo

A noção de reprodução social articulada pelo feminismo marxista, no interior de uma teoria unitária da opressão de gênero e do capitalismo, foi acusada no passado de ser ou funcionalista ou econômica e biologicamente determinista. Essas acusações baseiam-se em uma incompreensão fundamental das noções marxistas de produção e de reprodução e de um entendimento reifi cado do que a sociedade capitalista é. Ademais, frequentemente aquelas que criticaram a compreensão feminista marxista de reprodução social não foram capazes de oferecer uma alternativa sólida e acabaram em
impasses teóricos ainda maiores, particularmente exemplifi cados pelas teorias dos sistemas duplos e triplos. No sentido contrário, a noção de reprodução social tem o potencial de evitar esses impasses, enquanto concomitantemente sugere uma perspectiva não-reducionista do modo capitalista de produção: aquele no qual o capital não é considerado como o sujeito de um processo estritamente “econômico”.

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Biografia do Autor

Cinzia Arruzza, New School for Social Research

Professora associada da New School for Social Research, Nova York.

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Publicado

2018-01-17

Como Citar

ARRUZZA, C. Funcionalista, determinista e reducionista: o feminismo da reprodução social e seus críticos. Cadernos Cemarx, Campinas, SP, n. 10, p. 39–60, 2018. DOI: 10.20396/cemarx.v0i10.10920. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/cemarx/article/view/10920. Acesso em: 18 maio. 2022.

Edição

Seção

Artigos