Desde o surgimento da Internet, inicialmente para fins de pesquisa e em seguida para fins comerciais no final da década de 80, e também justificáveis pelo advento do movimento de acesso aberto em meados de 2002, uma série de transformações no mundo bibliográfico e tecnológico revolucionou a maneira de pensarmos e organizarmos a informação, que de certa forma era literalmente restrita e cobrada por alguns serviços bibliográficos à longa distância.

O mundo e suas transformações marcaram o cotidiano do cenário da área da Biblioteconomia tanto nas esferas políticas, institucionais, econômicas e sociais com essas transformações. Dessa forma, o contexto de posse de materiais bibliográficos antes adquiridos de forma paga em algumas instituições e empresas, veio a contribuir com as pesquisas a partir do marco do acesso aberto disponibilizando gratuitamente materiais (livros, periódicos, artigos, etc.) em plataformas gerenciáveis e construídas de forma colaborativa por grupos de pesquisadores e professores de distintas e compromissadas universidades internacionais.

Em 2005, o Instituto Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia (IBICT) “lançou a Iniciativa de Acesso Livre à Informação Científica [...] com o intuito de organizar a informação de acesso livre no Brasil e facilitar o entendimento dos elementos dessa nova cultura global”. (BLATTMANN; BOMFÁ, 2006, p. 44). Os repositórios e portais vieram contribuir para concretizar esse objetivo, uma vez que, segundo Viana, Márdero Arellano e Shintaku (2006, p. 8), “estabelecer um repositório institucional indica que as bibliotecas [e as universidades estão] [...] mudando seu papel de custódia para contribuir ativamente na mudança do modelo de comunicação científica”. Por isso, analisar uma política de preservação digital em seus repositórios ou portais institucionais, e se estão formalizados, contribuirá para aperfeiçoar a área da Ciência da Informação e trará benefícios tanto à comunidade científica e institucional quanto à sociedade em geral.

O grande volume de informação digital produzida nos dias atuais poderá ser completamente perdido, a menos que ações de preservação digital inseridas nos processos de gestão dos repositórios das instituições sejam formalizadas como política.

"A elaboração de uma política de preservação digital vai depender do grau de compromisso público e eficiência administrativa de uma instituição ou organização, em relação à gestão dos documentos arquivísticos digitais sob sua custódia, à preservação desses documentos e ao acesso contínuo aos repositórios ou sistemas que os contenham". (SILVA JÚNIOR; MOTA, 2012. p. 53).

O tema política de preservação digital de documentos arquivísticos e bibliográficos nascidos em ambientes digitais, especialmente neste país, precisa de amplo debate e elaboração de modelos devido à Lei 12.527 (BRASIL, 2011), que estabelece o direito de acesso dos cidadãos às informações públicas.

A Universidade Estadual de Campinas, desde 2013, como projeto piloto, faz parte da Rede de Serviços de Preservação Digital – Cariniana, que somente em meados de 2015 firmou a assinatura de parceria, visando preservar inicialmente os periódicos editados na universidade e gerenciados pela plataforma Open Journal System, que permite o sistema de integração com o software LOCKSS[1] da Universidade de Stanford.

Hoje, ao longo desses três anos de parceria, a Rede Cariniana está estendendo para a preservação de livros digitais (e-books), memória institucional e dados científicos, tendo essa premissa em nossa parceria, o Sistema de Bibliotecas da UNICAMP, por meio do Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos  visa integrar em seus serviços a reunião das publicações monográficas (livros) e preservá-los na Rede Cariniana.

Mas, preservar não significa apenas abriga-los na Rede Cariniana, precisamos incorporar a esses serviços outras ferramentas de preservação, que serão mencionadas item 6 dessa proposta.

Sendo assim, o objetivo principal desse projeto é a criação desse novo serviço que permita reunir livros e manuais produzidos por professor, pesquisador ou funcionário técnico-administrativo da UNICAMP, a serem disponibilizados para acesso e consulta da comunidade científica sendo unicamente de acesso aberto.

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[1] LOCKSS – Acrônimo traduzido para Muitas Cópias Mantidas Salvas e Seguras.