Resumo
Este artigo aborda as transformações da paisagem numa perspectiva que abarca a ação de humanos e não humanos, para além da dicotomia Natureza/Cultura. O foco recai sobre a área do atual Parque Estadual do Rio Vermelho (Florianópolis/SC). O autor reflete sobre as percepções e práticas subjacentes ao antigo projeto de silvicultura no local, baseado em uma racionalidade moderna, objetivando a homogeneização da paisagem, apagando marcas e vestígios da ocupação dos habitantes locais. Também explora os desdobramentos deste projeto, cuja crise levou a inesperados processos de produção de diferença, proporcionando proliferações de novos elementos heterogêneos na paisagem.
Referências
ARRUTI, José Maurício P. A. Por uma História à Contraluz: as sombras historiográficas, as paisagens etnográficas e o Mocambo. Palmares em Revista: Fundação Cultural Palmares (1), 1997, p. 71-96.
BERENHAUSER, Henrique. Espaçamento nos plantios de Pinus Elliottii e Taeda. Revista Floresta, [local desconhecido], p. 21-27, s/d.
BERENHAUSER, Um apelo ao bom senso, s/d, Biblioteca Central da UFSC, setor de Obras Raras, pasta 2, envelope 15, folha 9.
BRAVO, Claudia Rojas. Comunidade quilombola Vidal Martins, Florianópolis, SC: relações identidade-território a partir de um olhar geográfico. 2015. 128 f. TCC (Graduação) - Curso de Geografia, Departamento de Geociências, UFSC, Florianópolis, 2015.
BRITO, Maria Cecília W. Unidades de conservação: intenções e resultados. São Paulo: ed. Annablume e FAPESP, 2000. 65
BUTI, Rafael Palermo. A Antropologia em contextos da política e ação quilombola no Brasil meridional: dois casos para estudo. 2015. 338 f. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, Ufsc, Florianópolis, 2015.
CARDOSO, Thiago Mota. Paisagens em transe: uma etnografia sobre poética e cosmopolítica dos lugares habitados pelos Pataxó no Monte Pascoal. 2016. 524 f. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-graduação em Antropologia, UFSC, Florianópolis, 2016.
DIEGUES, Antônio Carlos S. O mito moderno da natureza intocada: populações tradicionais em unidades de conservação. São Paulo: NUPAUB/USP, 1996.
DUARTE, Gerusa Maria; FERREIRA, Tânia Marcia M. Distrito do Ingleses do Rio Vermelho - Florianópolis, Santa Catarina: um espaço costeiro sob a ação antrópica. UFSC, Florianópolis, s/d. Disponível em: http://observatoriogeograficoamericalatina.org.mx/egal8/Procesosambientales/Hidrologia/02.pdf. Acesso em: 18 set. 2017.
FERREIRA, Francisco Antônio Carlos. Projeto Parque Estadual do Rio Vermelho: subsídios ao plano de manejo. Florianópolis: ed. Insular, 2010.
IMA, Instituto do Meio Ambiente. Parque Estadual do Rio Vermelho. Disponível em: https://www.ima.sc.gov.br/index.php/biodiversidade/unidades-de-conservacao/parque-estadual-do-rio-vermelho. Acesso em 24/08/2021.
INGOLD, T. Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis: ed. Vozes, 2015.
INGOLD, T. The perception of environment: essays on livelihood, dwelling and skill. Londres, Nova York: Routledge, 2000.
IORIS, Edviges Marta. Uma floresta de disputas: conflitos sobre espaços, recursos e identidades sociais na Amazônia. Florianópolis. Ed. da Ufsc, 2014.
LEITE, Ilka Boaventura. Territórios de Negros em Área Rural e Urbana: algumas questões. Textos e Debates. Terras e Territórios de Negros no Brasil. V. 1, n. 2 NUER/PPGAS, 1991, p. 39-46.
LEITE, Ilka Boaventura. (Org.). Negros no sul do Brasil. Invisibilidade e territorialidade. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1996. 66
LEITE, Ilka Boaventura. O projeto político quilombola: Desafios, conquistas e impasses atuais. Revista de Estudos Feministas, Vol.16, no 3, 2008, pp. 965-977. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/PkRZPC6gwHRkLMMKkPxCvyd/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 30 ago. 2021.
LOWOOD, H. E. The Calculating Forester: Quantification Cameral Science, and the Emergence of Scientific Forestry in Germany. In: FRANGSMYR, T.; HEILBRON, J. L.; RIDER, R. E. (Ed.). The Quantifying Spirit in the Eighteenth-Century. Berkel: University of California Press, p. 315-342, 1991.
METRÓPOLES. Bolsonaro: processo por ofensas a negros e quilombolas é encerrado. Disponível em: https://www.metropoles.com/brasil/justica/bolsonaro-processo-por-ofensas-a-negros-e-quilombolas-e-encerrado. Acesso em: 29 ago. 2021.
SILVEIRA, Pedro Castelo Branco. Povo da terra, terra do parque: presença humana e conservação de florestas no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira. 2001. 270 f. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Campinas, 2001.
SILVEIRA, Pedro Castelo Branco. Etnografia da paisagem: natureza, cultura e hibridismo em São Luiz do Paraitinga. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Campinas, 2008.
SILVEIRA, Pedro Castelo Branco. Híbridos na paisagem: uma etnografia sobre espaços de produção e de conservação. In: Revista Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. XII, n. 1, p. 83-98, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-753X2009000100007. Acesso em: 30 ago. 2021.
TSING, A. The Mushroom at the End of the World: On the Possibility of Life in Capitalist Ruins. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2015a.
TSING, A. Friction: an ethnography of global connection. Princeton University Press, 2005.
TSING, A. Margens indomáveis: cogumelos como espécies companheiras. Ilha - Revista de Antropologia, v. 17(1), 2015, p. 177-201. Disponível em: https://doi.org/10.5007/2175-8034.2015v17n1p177. Acesso em: 30/08/2021
VALDEZ, Ramiro Soares. Paisagens políticas: uma abordagem antropológica das transformações da paisagem na área do atual Parque Estadual do Rio Vermelho, Florianópolis, SC. 66 f. TCC (Graduação) – Curso de Antropologia Social, Departamento de Antropologia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Copyright (c) 2022 RURIS (Campinas, Online)