Violência obstétrica

análise do conceito segundo Rodgers

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/ccfenf220224755

Palavras-chave:

Parto obstétrico, Abuso nos serviços de saúde, Parto humanizado

Resumo

Introdução: Na literatura leiga latino-americana, é comum encontrar o termo “violência obstétrica” com o objetivo de dar visibilidade às ações de “cuidado desumanizado” ou “desrespeito e abuso” que acontecem durante a gestação e o parto. No entanto, esse conceito vem aparecendo na literatura médica sem que exista de fato uma definição clara sobre o termo. Objetivo: Compreender a construção e desenvolvimento do conceito da “violência obstétrica”. Método: Trata-se de um estudo de análise conceitual. A estratégia metodológica foi a análise conceitual de Rodgers. Foram avaliados artigos cujos títulos ou resumos continham as expressões: violência obstétrica, abuso e desrespeito; cuidados de maternidade respeitosos. Resultados: Encontradas 1095 publicações, resultando em 517 para análise, 30 atendiam os critérios de inclusão. Os atributos foram categorizados em pré-natal, pré-parto, parto e restrições do sistema de saúde. Quanto ao termo substitutivo usado para descrever a “violência obstétrica”, nove artigos utilizaram essa mesma expressão. Os substitutivos usados para descrever “violência obstétrica”: maus tratos; cuidado desumanizado; desrespeito e abuso; medicalização do parto; mecanismos de violência; violência estrutural. Embora a expressão “violência obstétrica” esteja sendo mais comumente utilizada na América Latina, em contextos de pesquisa e política, percebe-se uma tendência mundial desses eventos serem nomeados: cuidados desrespeitosos, abusos e maus-tratos às mulheres. Conclusão: este trabalho propõe que o termo “violência obstétrica” seja delineado de forma mais clara, considerando especialmente os atributos e os consequentes relacionados ao conceito. A construção desse conceito deve, portanto, levar em consideração a ocorrência de um ato de violência, desrespeito e cuidado não digno, decorrentes de falhas nos três pilares do cuidado à saúde, ético, técnico e estrutural, com uso de força excessiva para com as mulheres, num momento de vulnerabilidade que demanda, ao contrário, cuidado e respeito.

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Biografia do Autor

Yonara Franco Mussarelli, Universidade Estadual de Campinas

Mestranda em Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas.

Érika Zambrano, Universidade Estadual de Campinas

Professora Doutora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Campinas. Doutorado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Silvana Ferreira Bento, Universidade Estadual de Campinas

Pesquisadora do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas da Universidade Estadual de Campinas. Doutorado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas.

Rodolfo de Carvalho Pacagnella, Universidade Estadual de Campinas

Professor Associado do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas. Livre-Docente pela Universidade Estadual de Campinas.

Clara Fróes de Oliveira Sanfelice, Universidade Estadual de Campinas

Professora Doutora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Campinas. Doutorado pela Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Campinas.

Verônica Cardoso Massarolo, Universidade Estadual de Campinas

Mestrado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2022-11-30

Como Citar

1.
Mussarelli YF, Zambrano Érika, Bento SF, Pacagnella R de C, Sanfelice CF de O, Massarolo VC. Violência obstétrica: análise do conceito segundo Rodgers. CCFEU [Internet]. 30º de novembro de 2022 [citado 1º de fevereiro de 2023];(2):e20224755. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/ccfenf/article/view/4755

Edição

Seção

Processo de Cuidar em Saúde e Enfermagem da Mulher, Criança e Adolescente