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Perfil dos usuários do ambulatório de saúde mental do adolescente do Cecom
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Palavras-chave

Adolescência
Saúde mental
Atenção psicossocial

Como Citar

BATISTA, Karen; LOPES, Vivian de Lima Buosi; LEITE, Carlos Eduardo Paula; DOMINGOS JÚNIOR, Nilton Manoel. Perfil dos usuários do ambulatório de saúde mental do adolescente do Cecom. Sínteses: Revista Eletrônica do SimTec, Campinas, SP, n. 8.Eixo 3, p. e02200766, 2023. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/simtec/article/view/18099. Acesso em: 15 jul. 2024.

Resumo

Introdução/Objetivo: A adolescência é um período de intensas mudanças físicas e psicossociais que podem apresentar impactos importantes na estruturação da personalidade e saúde mental dos indivíduos. Portanto, é fundamental a oferta de uma rede de proteção a essa população, de modo que os serviços de saúde se comprometam com o fortalecimento de fatores de proteção para uma adolescência saudável e em facilitar o acesso ao tratamento e intervenção precoce de agravos em saúde mental. Assim, em 2019 o CECOM criou o Ambulatório de Saúde Mental do Adolescente (ASMA) visando oferecer assistência multiprofissional - composta pelos serviços de Psiquiatria, Psicologia e Serviço Social - para os adolescentes do COTUCA, COTIL, estagiários, menores-aprendiz e patrulheiros da comununidade UNICAMP. Metodologia: Sistematizamos os dados dos adolescentes que buscaram assistência em saúde mental no ASMA/CECOM de março de 2019 até agosto de 2022 a fim de mapear o perfil dos usuários assistidos até o momento. Tais dados foram levantados e analisados pela equipe multiprofissional do ambulatório. Resultados: De 2019 a 2022 foram contemplados 93 adolescentes no ASMA. Destes, 71% são do sexo feminino e 29% masculino. Sobre a idade: 38,7% com 17 anos; 22,6% com 16 anos; 20,4% com 18 anos; 12,9% com 15 anos; 4,3% com 19 anos e 1,1% com 21 anos. Sobre o vínculo institucional: 76,3% são alunos do COTUCA, 19,4% são do Programa Menor-Aprendiz ou Patrulheiros e apenas 4,3% são alunos do COTIL. Analisando a natureza das queixas, observamos que 38,7% apresentavam sintomas de depressão/ansiedade e/ou instabilidade emocional; 11,8% se queixavam de pressão escolar; 7,5% apresentavam queixas relacionadas a relacionamentos afetivo-sexuais, 6,5% queixas típicas da Síndrome da Adolescência Normal; 6,5% queixas sobre ensino online e isolamento social; 6,5% sofriam violência parental; 5,4% sofreram violência sexual; 4,3% queixas de dificuldades cognitivas; 3,2% queixas relacionadas à intolerância/discriminação racial, religiosa ou sexual; 3,2% ideação e/ou tentativa de suicídio; 3,2% vivenciavam processos de luto e luto provocado pela pandemia e 3,2% queixas associadas à vulnerabilidade socioeconômica. Sobre a conduta, 40,1% foram encaminhados para Psiquiatria; 37,6% à Psicologia e 22,3% ao Grupo de Apoio. Dos encaminhados para Psiquiatria (63 adolescentes), 58,7% (37 adolescentes) foram medicados. Conclusão: O fato da maioria dos adolescentes serem do sexo feminino sugere que as meninas estão mais expostas a fatores estressantes e faz-se necessário investigar se a baixa adesão dos meninos é produto dos aspectos histórico-culturais que determinam a construção de gênero e dos papéis sociais. Queixas de intolerância racial, religiosa e de orientação sexual, vulnerabilidades sócioeconomicas e exposição a diferentes tipos de violência denotam a necessidade dos serviços da rede considerarem tais evidências para a adoção de medidas que favoreçam um ambiente seguro e saudável aos adolescentes.

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Referências

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SCHENKER, M.; CAVALCANTE, F. G., 2015. Vulnerabilidade, família, abuso, dependência de drogas e violência. In: SILVA, E. A., MOURA, Y. G. e ZUGMAN, D. K. Vulnerabilidades, resiliência, redes: Uso , abuso e dependência de drogas. São Paulo: Red Publicações, 2015.

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