Intercruzamento entre religiões de matriz africana e o graffiti

a decisão da entidade no ato de pintar o terreiro de Mina Nagô Deus Esteja Contigo

  • Thayanne Tavares Freitas Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: Graffiti, Arte, Religiões afro-brasileiras, Maria Padilha, Agência

Resumo

Neste artigo trago o entrelaçamento do graffiti com as religiões de matriz africana a partir de uma experiência etnográfica. Tive acesso ao graffiti durante minha pesquisa de mestrado com e sobre um coletivo de mulheres e uma pessoa trans que grafitam na cidade de Belém do Pará – norte do Brasil. Junto ao coletivo, tornei-me grafiteira, participando do grupo desde então. No universo das religiões de matriz africana, tive uma experiência que entrelaçou os dois universos. Fui convidada pelo zelador de santo para pintar uma das paredes do terreiro. Realizei e apresentei o esboço, no qual o sacerdote confirmou a pintura. Após algumas semanas, soube que a pintura foi cancelada por uma das principais entidades da casa, Maria Padilha. Portanto, a publicização da imagem foi interrompida neste diálogo. Finalmente, a arte foi realizada na casa de uma filha de santo. O episódio nos faz pensar sobre distintas sensibilidades e formas de ser visível e invisível.

Biografia do Autor

Thayanne Tavares Freitas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre em Antropologia e bacharel em Serviço Social pela pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

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Publicado
2020-05-13
Como Citar
Tavares Freitas, T. (2020). Intercruzamento entre religiões de matriz africana e o graffiti: a decisão da entidade no ato de pintar o terreiro de Mina Nagô Deus Esteja Contigo. Ciencias Sociales Y Religión/Ciências Sociais E Religião, 22, e020012. Recuperado de https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/csr/article/view/13530