Considerações sobre a relação entre conhecimento e linguagem no Banquete e na República de Platão
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Palavras-chave

Platão
Conhecimento não-proposicional
Dialética

Como Citar

SILVA, José Lourenço Pereira da. Considerações sobre a relação entre conhecimento e linguagem no Banquete e na República de Platão. Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade, Campinas, SP, v. 18, n. 27, p. 87–102, 2022. DOI: 10.53000/cpa.v18i27.1657. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/cpa/article/view/17239. Acesso em: 16 abr. 2024.

Resumo

Não há dúvida de que, em diálogos como o Banquete e a República, as Formas inteligíveis são os verdadeiros objetos do conhecimento real, que só pode ser alcançado por um exercício árduo da inteligência educada na dialética, ou educada para ascender por diferentes graus de manifestações de uma Forma. A controvérsia surge quanto ao tipo de conhecimento que se pode obter dos objetos inteligíveis: se é conhecimento direto e, portanto, não-proposicional, ou conhecimento discursivo e argumentativo, de modo que o que se conhece sobre as Formas são proposições verdadeiras a seu respeito ou raciocínios que as envolvem. Em minha interpretação, alego que o método para alcançar as Formas platônicas depende de proposições (logoi). No entanto, embora o discurso seja uma condição necessária para a obtenção do conhecimento, não é condição suficiente: uma familiaridade com as Formas que ultrapassa a esfera discursiva e linguística é o nível máximo que a cognição humana deve alcançar para podermos dizer que um pessoa sabe no sentido em que Platão usou o termo "saber". Como evidência para esta leitura, faço uso de duas seções famosas dos diálogos: aquela da ascensão até a Forma da Beleza no Banquete, e a do simile da linha dividida na República. Em ambos os lugares são expostos os processos que a alma deve realizar para chegar ao mais alto grau de conhecimento.

https://doi.org/10.53000/cpa.v18i27.1657
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