O problema do um e do múltiplo ou de como Platão se liberta das injunções Eleáticas no Sofista
PDF

Palavras-chave

Formas
Sofista
Um e m´últiplo
Ontologia eleática

Como Citar

SILVA, José Lourenço Pereira da. O problema do um e do múltiplo ou de como Platão se liberta das injunções Eleáticas no Sofista. Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade, Campinas, SP, v. 24, n. 34, p. 23–36, 2020. DOI: 10.53000/cpa.v24i34.4048. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/cpa/article/view/17163. Acesso em: 30 maio. 2024.

Resumo

Neste artigo, procuro mostrar como a colocação do problema do um e do múltiplo e a hipótese da participação mútua das Formas para respondê-lo no Sofista significam um decisivo afastamento por parte de Platão da ontologia e lógica eleática. Rejeitando a noção do ser absoluto e o princípio de identidade intransigente de Parmênides, que não permitiam afirmar senão tautologias, o Estrangeiro trata do problema do um e do múltiplo no plano do inteligível para mostrar que a concomitância do um e do múltiplo que nossos discursos expressam se apoia no fato de que as próprias Formas, que na ontologia do Banquete, República e Fédon foram concebidas tal como o ser de Parmênides, mantêm relações mútuas que torna cada qual, ao mesmo tempo, una e múltipla. O reconhecimento do fenômeno da relação como inerente à constituição dos verdadeiros seres só foi possível mediante o rompimento com a lógica e a ontologia eleática e sua crença no ser absoluto que a tudo pretendia imobilizar na sua unidade e auto-identidade. O Estrangeiro libertou o ser das amarras que impossibilitavam o contato com o Outro. Reconhecendo o modo de ser em relação (pros allo), compatível com o modo de ser em si (kath auto), o diálogo Sofista não só superou as injunções parmenideana, mas também refinou a ontologia das Formas que Sócrates havia defendido.

https://doi.org/10.53000/cpa.v24i34.4048
PDF

Referências

GUTHRIE, W. K. C. AHistory of Greek Philosophy, I. Cambridge: Cambridge University Press, 1962. Reimpressão 1988.

KUCHARSKI, P. Les chemins du savoir dans le derniers Dialogues de Platon. Paris: PUF, 1949.

LAFRANCE, Y. La Théorie Platonicienne de la doxa.Montreal, Paris: Bellarm-in-Belles Lettres, 1981.

LYNCH, W. F. An approach to the Metaphysics of Plato through the Par-menides. New York: Georgetown University Press, 1959.

PANAGIOTOU, S. The ‘Parmenides’ and the ‘communion of kinds’ in the ‘Sophist’. Hermes, 109, pp. 167-171, 1981.

PLATÃO. Platonis Opera - T. I tetralogias I-II continens [insunt Euthyphro, Apologia, Crito, Phaedo, Cratylus, Theaetetus, Sophista, Politicus], rec-ognoverunt brevique adnotatione critica instruxerunt W.A. Duke, W.F. Hicken, W.S.M. Nicoll, D.B. Robinson et J.C.G. Strachan. Oxford: Oxford Clarendon Press, 1995.

PLATÃO. Parmênides. Tradução, introdução e notas por Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Rio de Janeiro, São Paulo: PUC-Rio, Loyola, 2003.

PLATÃO. Fédon, Sofista e Político. Tradução J. Paleikat. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

PLATÃO. Filebo. Tradução, apresentação e notas de Fernando Muniz. Rio de Janeiro, São Paulo: PUC-Rio, Loyola, 2012.

PLATÃO. Le Sophiste. Tradução, introdução e notas por Nestor Cordero. Pa-ris: GF-Flamarion, 1993.

A Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade utiliza a licença Creative Commons — Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International — CC BY-NC-ND 4.0. Esta é a mais restritiva das nossas seis licenças principais, só permitindo que outros façam download dos seus trabalhos e os compartilhem desde que atribuam crédito a você, mas sem que possam alterá-los de nenhuma forma ou utilizá-los para fins comerciais. Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade

Downloads

Não há dados estatísticos.