Resumo
Ao lado da religião cívica grega, cultos foram instituídos no núcleo da sociedade grega. Este cultos funcionavam de forma paralela e, por vezes, contrária à religião estabelecida. Estas manifestações religiosas como Eleusis, os cultos à Dionísio e, posteriormente, os cultos órficos, propuseram visões do sagrado estranhas a religião oficial. Desta forma, estas freqüentemente afirmavam uma visão de mundo divergentes daquelas que formavam e, de algum modo, mantinham a unidade no modo de pensar o papel dos cidadãos na cidade. A partir de alguns elementos principais das relações entre a religião cívica e o estado-cidade, este trabalho pretende levantar questões sobre o tipo de relação que a religião órfica-dionisíaca mantinha na cidade. A partir destas questões, este estudo também visa pensar as conseqüencias mais visíveis desta relação com a estrutura da cidade grega. Uma vez que estes cultos de mistério eram baseados na idéia da alma sobrevivendo após a morte do corpo, surge um novo ideal para o homem grego: a saúde em estar morto como um objetivo maior em vida. Ao propor
este tipo de relação para os cidadãos, estes cultos se tornaram um elemento desagregador e heterogêneo e, portanto, não benéfica para a estrutura da cidade. Seguindo esta linha, este artigo propõe olhar para a religião misteriosa como uma religião do saudável além da vida e além da cidade.
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