CHAMADA DE TRABALHO 2022 - DOSSIÊ Marxismo e produção de conhecimento em Relações Internacionais

2022-02-22

A Rede de Estudos em Relações Internacionais e Marxismo (RIMA), fundada em 2016, tem sido uma impulsionadora da produção de conhecimento na área de Relações Internacionais (RI) a partir de teorias e análises marxistas. Artigos, dossiês, livros e uma série de eventos acadêmicos organizados pelas/os integrantes da RIMA têm contribuído para promover no Brasil um encontro necessário entre o Materialismo Histórico e as Relações Internacionais. Nesse sentido, a necessidade de avançar na sistematização e na publicação de artigos de pesquisadoras/es marxistas, ou que dialogam com o Marxismo, sobre produção de conhecimento na área é o desafio que move este dossiê.

É importante rememorar que desde a segunda metade do século XX, antes da consolidação da área acadêmica de RI nas universidades brasileiras, diversos pesquisadores e intelectuais das Ciências Sociais no Brasil e na América Latina já desenvolviam pesquisas e análises sobre as relações internacionais a partir da perspectiva marxista. Teóricos e analistas da dependência indicavam que o processo de desenvolvimento do capitalismo na periferia continha particularidades e era — e continua sendo — necessário pesquisá-lo. Realizaram investigações sobre temas como: o lugar das economias latino-americanas na expansão mundial do capitalismo; as mudanças inerentes ao avanço do capitalismo monopolista; a entrada de capital internacional nos países da região por meio de desterritorialização da produção e de investimentos; as particularidades do Estado dependente, entre outras questões. Com o desenvolvimento acadêmico das Relações Internacionais no país, diversas/os pesquisadoras/es marxistas na área — em boa parte inspirados/as pelos esforços dependentistas — realizaram trabalhos em diferentes centros e universidades, ainda que sob pantalha. A RIMA surgiu justamente para contribuir com o aumento da articulação entre as/os pesquisadoras/es e para uma maior difusão das investigações da área.

Como a pesquisa marxista na área ainda ocorre de maneira difusa nas instituições brasileiras de ensino e de pesquisa, tanto na graduação como na pós-graduação, este dossiê propõe contribuir com o debate sobre produção de conhecimento nas Relações Internacionais a partir do referencial marxista, tal como suas repercussões para a formação de pesquisadores/as.

Convidamos, assim, autores/as com contribuições que tratam deste debate direta ou indiretamente, bem como contribuições com pesquisas teóricas e empíricas, históricas e conjunturais que utilizam o Marxismo no desenvolvimento da investigação científica em Relações Internacionais. É importante que os artigos que apresentem resultados de investigações situem como o Marxismo foi utilizado na condução da pesquisa. Além disso, também aceitamos resenhas de obras e traduções de artigos.

Visualizamos uma pluralidade de temas estudados a partir da perspectiva marxista no Brasil, desde pesquisas que dialogam com as teorias de Relações Internacionais desenvolvidas no mainstream, até estudos que partem de contribuições de teóricas/os latino-americanas/os e outras/os autoras/es do Sul Global. São diversos os possíveis temas que se encaixam nessa chamada. Entre eles pesquisas sobre:

  • classes dominantes e relações internacionais: classes transnacionais; classes dominantes e instituições internacionais; articulação internacional da burguesia; burguesia nacional; relações entre burguesia/frações burguesas, Estado e política externa.
  • classes trabalhadoras, relações internacionais e lutas anticapitalistas: internacionalismo proletário; diplomacia dos povos; articulação internacional de associações de trabalhadores, sindicatos e/ou movimentos sociais; relação entre movimentos populares e política externa; classe, raça e gênero nas relações internacionais.
  • Estado capitalista no sistema internacional:Estado, política externa e classes sociais/frações de classe; Estado dependente; soberania e inserção internacional; Estado e instituições internacionais; relação entre Estados centrais e periféricos; sistema de Estados no capitalismo; Estado mundial.
  • capitalismo global e neoliberalismo: expansão mundial do capitalismo; acumulação primitiva; capitalismo monopolista; divisão internacional do trabalho; arquitetura financeira internacional; desterritorialização da produção; cadeias globais de valor.
  • transição revolucionária: revolução internacional; socialismo e comunismo mundiais; Estado de transição e suas relações exteriores, reação e restauração internacionais, guerra e revolução; socialismo e paz; experiências socialistas históricas e atuais e suas articulações internacionais.
  • imperialismo, sistema-mundo e hegemonia: desenvolvimento desigual e combinado; relação centro-periferia; padrões de dominação externa; Estado na periferia do capitalismo; burguesia associada ao capital imperialista; ciclos de hegemonia; periferia, semi-periferia e centro.
  • dependência e subdesenvolvimento: Estado periférico, burguesia associada, transferência de valor, superexploração da força de trabalho, estado de contra-insurgência,subimperialismo; superexploração da natureza; neoextrativismo.

Dessa forma, o intuito é que o dossiê consiga contemplar diferentes objetos de estudo que vêm sendo estudados e desenvolvidos por pesquisadoras/es em instituições de ensino e pesquisa no Brasil.

Os textos devem seguir as normas de submissão de trabalhos à revista Cadernos Cemarx, disponíveis em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/cemarx/about/submissions.

Desde 2020, a revista Cadernos Cemarx adotou o modelo de publicação contínua. A previsão é que todos os textos submetidos para este Dossiê sejam publicados até dezembro de 2022.

Organização: Caio Bugiatto (UFRRJ), Luana Forlini (Unicamp), Mariana Davi Ferreira (Unicamp) e Rafael Mello (UnB).